Saturday, May 6, 2017

VAMOS ATÉ AO JORDÃO?



Há muito tempo que penso em escrever-vos, mas começo a escrever e depois não sei, parece que não é o tempo, que não tenho vontade, que não sei bem como continuar e páro. Há uns dias atrás abri a Bíblia e pedi a Deus que falasse comigo. Tenho vivido tempos de introspeção e de reflexão e sofrido um bocadinho em silêncio e naquele momento sentia que precisava mesmo do poder da Palavra na minha vida. Fui parar a II Reis e li o seguinte:

E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar para habitar. E disse ele: Ide. E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. E sucedeu que, derrubando um deles uma viga, o ferro caiu na água; e clamou, e disse: Ai, meu senhor! ele era emprestado. E disse o homem de Deus: Onde caiu? E mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro. E disse: Levanta-o. Então ele estendeu a sua mão e o tomou. II Reis 6:1-7

Li outros capítulos, mas estes versos ficaram a ecoar dentro de mim. Fiquei tão curiosa que voltei atrás. Porque é que no meio da história dos reis de Israel haveria de estar ali aquele fait divers? Achei tão estranho... agora até me dá vontade de rir, mas a verdade é que fiquei deitada na cama de luz apagada a pensar que isto  não podia estar na Bíblia por acaso. Não podia ser um engano, nem palha para encher, portanto, alguma coisa isto quereria dizer, "mas o quê", perguntava eu a Deus. E li e reli no telemóvel até que percebi algo... 

O lugar onde estou, onde estamos, está a ficar pequeno demais. Da mesma forma que uma planta a certa altura do seu crescimento precisa de ser mudada de vaso para poder crescer, há também um tempo na nossa vida em que o lugar (não necessariamente físico, mas espiritual, entendam-me) onde estamos, se torna demasiado apertado para o que Deus quer operar em nós. Há um momento em que é preciso alargar o lugar em que habitamos. Porque ele se tornou demasiado confortável. E porque essa terra já deu o que tinha para dar e já não tem nutrientes que nos permitam crescer e dar fruto. 

o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão...

Quando percebemos que já não podemos mais permanecer onde estamos, como estamos, que já não podemos fazer as coisas da mesma maneira e que há mais, então é tempo de ir até ao Jordão. O Jordão que significa "aquele que desce" ou "lugar onde se desce". E como nós precisamos descer... Para fazermos um novo lugar para habitar (e habitação fala de construção, de estrutura) é preciso descer da nossa altivez, descer da nossa arrogância, descer das nossas vontades, descer dos nossos achismos, descer da nossa condição atual e mergulhar, para ressurgirmos preparados para enfrentar um novo tempo, uma nova habitação cheia do Espírito Santo e do Seu poder!

Friday, December 30, 2016

GRATIDÃO



Gratidão. Por tudo e por nada. Pelo dia de hoje e pelo de ontem. Pelo que vivi. Pelo que sofri. Pelo que cresci. Pelo que dei e pelo que recebi. Pelo que pude fazer e pelo que não consegui alcançar. Gratidão é o que sinto neste último mês, nestes últimos dias do ano.


Há muito que não vos escrevo, por um lado por falta de tempo, por outro por falta de vontade e já sabem que eu não escrevo por obrigação, mas pelo coração. E foi o coração que me trouxe de volta, com a necessidade de partilhar convosco o que tem estado cá dentro nos últimos tempos e, em especial, para vos deixar com algo para pensar neste que é o fim de mais um ano.  

Tenho pensado muito nos últimos tempos, na minha vida, nos meus objetivos, no que aconteceu neste ano, no que alcancei, no que falhei e de repente dei por mim num lugar de crise. Crise porque sinto que o que alcancei não é suficiente, porque sinto que há mais de Deus para mim, e que eu consigo fazer melhor para Ele. Crise porque sinto o tempo a fugir-me das mãos e isso assusta-me. Crise porque vejo o mundo a discutir por aquilo que não tem qualquer valor. Crise por ver como tudo passa e como as pessoas perdem tempo (às vezes eu inclusive) com coisas que não interessam. Crise porque passamos a vida a correr e nem damos conta de que ela está a passar-nos ao lado. Crise porque me sinto pequena demais e muitas vezes insuficiente. Crise porque muitas vezes não consegui fazer o que queria ter feito...  

Mas sabem, a crise não tem de ser um lugar mau. Não quando temos Cristo. Porque Ele é o Caminho e com Ele sempre vamos ser capazes de nos dirigir para o lugar certo. Com Ele sempre seremos capazes de sair do lugar de crise para o lugar de criação. Porque na crise, cria-se! A crise conduz-nos a novas decisões, incentiva-nos a crescer, constrange-nos a transformar e a ser transformados. E é curioso que estes dias alguém dizia precisamente que a crise é um lugar necessário para o avivamento e para a transformação. E eu não podia concordar mais. É nesses momentos que damos o salto. É aí, na insatisfação e na incapacidade, que Deus entra com a Graça e nos leva a um novo lugar Nele. Mais alto. Mais perto. Muito mais perto Dele. 

Mas é preciso abraçá-la [à crise] e deixá-la fazer o seu papel em nós. Precisamos de aprender a abraçar a dor, o medo, a dúvida, o sofrimento, o desânimo, a frustração, em vez de tentarmos camuflá-los, ignorá-los ou atirá-los para trás das costas, como se não os vendo, não os sentíssemos. Custa, muito, mas aceitar aquilo que sentimos e pedir ajuda ao Pai para lidar com isso é a única forma de seguir em frente e passarmos para o próximo nível. Reconhecer o que nos vai na alma é o primeiro passo para aceitar e, assim, ultrapassar qualquer coisa. 

As provas revelam o amor do Pai. Este é o título que podemos ler no capítulo 12 do livro de Hebreus antes do verso que transcrevo abaixo. E eu não diria melhor. Realmente, as lutas e as dores revelam o amor deste Deus que enviou o Seu filho Jesus para nos salvar de uma vida sem sentido e de uma eternidade escura e fria. Que nos enviou o filho do Seu amor para nos trazer de volta ao princípio de tudo, quando Ele nos criou com um amor perfeito e profundo, à Sua imagem e semelhança. O Criador, o Autor da vida, queria a Sua criação de volta, mas desta vez decidiu dar-lhe muito mais do que apenas o sopro da vida, deu-nos o poder de sermos chamados Filhos de Deus. E por causa disso hoje não somos mais órfãos, mas filhos, se somente crermos em Jesus e no Seu sacrifício. Aleluia, bendito seja o nome do Senhor por isto!

Meu filho, não desprezeis a disciplina do Senhor, nem desanimeis quando por Ele sois repreendido, pois o Senhor disciplina a quem ama, e educa todo aquele a quem recebe como filho. Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina; Deus vos trata como filhos. Hebreus 12:5-7

Já li esta passagem algumas vezes, mas só hoje a entendi. Sempre me foquei na parte da "disciplina"e a interpretei como a correção por algo de errado que fizemos, mas estava tão enganada... não é nada disso. Sim, é verdade que um pai corrige quando fazemos algo de errado, e isso também se aplica a Deus Pai, mas não é a isso (apenas) que o autor se refere. O que na verdade aqui diz é para entendermos a dificuldades, os sofrimentos, como uma forma de educação. Tudo o que vivemos que nos faz sofrer é usado por Deus para nos educar. Às vezes nem fizemos nada de errado para merecer certa situação (como já ouvi alguns dizer), mas isso faz parte da nossa educação espiritual, chamemos-lhe assim. É o processo que o Pai usa para nos dar grandes lições, sobre o Seu amor, a Sua paz, a Sua graça, fidelidade, poder, soberania... 

Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina. Deus está-nos a educar. A ensinar-nos a ser fortes, a amar mais, a ter mais compaixão, a ver o lado bom das coisas, a ser mais pacientes, a saber esperar, a ter domínio próprio, a ser humildes, mansos, a saber servir o próximo, a saber dar, e a saber receber... Sim, Deus está-nos a ensinar porque Ele é um Pai que nos trata como filhos. E um pai que se preze quer o melhor para os seus filhos. Assim é Deus. 


Thursday, November 10, 2016

MARCHA! (parte II)




Se não leram a parte I deste texto, recomendo vivamente que o façam antes de continuar. É importante para entenderem the whole picture. Não vou fazer introdução, para não perdermos mais tempo.Continuando, então, de onde ficamos...

E os egípcios perseguiram-nos (...) e alcançaram-nos acampados junto ao mar... 
E aproximando Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram ao SenhorE disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirar de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, fazendo-nos sair do Egito?  (...) Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto. Êxodo 14:7-12

Imaginem a cena... Deus já tinha avisado o Seu povo que a estratégia era esta, atrair os egípcios (basicamente os israelitas foram o que se chama de isco), mas quando eles levantam os olhos e vêem o exército de faraó, aí é que a porca torce o rabo! A história é-vos familiar? 

Eles entraram em pânico, começaram a desesperar, a achar que iam morrer. E quase estragam tudo... Até diz que o povo clamou ao Senhor, que no original é "tsâ'aq", um grito de ajuda, mas depois lemos as palavras por eles proferidas a Moisés e por momentos ficamos confusos. O grito de socorro do povo não coincide com o seu discurso. Isto ensina-me que em aflição qualquer um grita por socorro. Qualquer um pede ajuda a Deus quando pensa que vai morrer, até quem não crê Nele, porque é o medo a falar, mas o nosso discurso é que vai revelar o nosso coração. O próprio Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Mateus 12:34). Não é por acaso que a Bíblia nos descreve esta conversa. 

Deus não faz nada sem avisar primeiro os seus servos (Amós 3:7), então Deus avisa-nos. E prepara-nos. Nós já sabemos, mas quando acontece, quando nos vemos no meio da guerra, quantos de nós não entram em pânico? De repente esquecemos tudo o que ouvimos, tudo o que vimos, e o ser humano que há em nós desespera, com medo. Alguns paralisam. Outros voltam-se mesmo contra Deus. Foi o que aconteceu na nossa história. Um povo cansado de ser escravizado sentiu-se entre a espada e a parede novamente e, por momentos, perdeu a sua fé. Um povo habituado à escravatura e à prisão, que preferia continuar nesse lugar do que morrer no deserto.


Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver. Êxodo 14:13

Sabes, tu não vais morrer no deserto. O calor aperta, a dor parece insuportável, mas Deus jamais te abandonou. Quando é Ele que te tira do Egipto, quando é Ele que te guia pelo deserto, não precisas temer. Ele tem um plano para te livrar. 


Talvez estejas a viver um tempo assim, difícil. De repente viste-te rodeado pelo inimigo e o teu coração vacilou. Por momentos perdeste a esperança no futuro e a fé Naquele que te tirou da terra de escravidão... Mas se entraste neste blog hoje à procura de respostas, então eu quero-te lembrar que Deus ainda não deu a última palavra. Como Moisés disse aquele povo hoje te digo: não temas, fica quieto e vê o livramento do Senhor sobre a tua vida. Aos egípcios que hoje vês, nunca mais verás, em nome de Jesus. 

Wednesday, October 19, 2016

MARCHA! (parte I)


Estava na igreja um destes dias e, enquanto orava, o Espírito Santo disse-me: "diz ao meu povo que marche". Não entendi nada, mas no meu lugar eu própria comecei a marcar o meu passo, como se fosse parte de um exército, aquele que Deus quer levantar nesta terra. Não estivesse eu já habituada a estas pequenas "loucuras" e ficaria envergonhada de fazer aquelas figurinhas. Não fiquei. Percebi há já algum tempo que não tenho porque me envergonhar do Espírito Santo e do seu mover. Aprendi a amar o ministério desta que é a terceira pessoa da trindade e a desejar conhecê-Lo cada vez mais. 
Já em casa, pus-me a pensar no que Deus me disse e decidi ir em busca deste versículo, que me lembrava estar relacionado com o episódio do Mar Vermelho. 

Comecei a reler a história e a preparar este texto sem ter bem noção do que Deus queria que eu escrevesse, mas vocês já sabem que este blog é assim. (: 

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; (...) eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Êxodo 3:7-9

Resumindo a história, depois de anos de escravidão no Egipto, os israelitas podem finalmente mudar de vida. Guiados por Moisés, chamado por Deus para esta árdua tarefa, e depois de muitas peripécias (também conhecidas por pragas do Egipto) conseguem escapar da opressão de faraó e rumam à Terra Prometida. 

Assim de repente consigo fazer uma associação com a nossa vida e a Igreja no geral. Quanta opressão temos sentido... Durante anos a Igreja do Senhor tem vivido oprimida, escravizada pelo inferno... o diabo tem matado os nossos sonhos, a nossa esperança, tem matado mesmo vidas espiritualmente falando... ele tem roubado a nossa fé e a nossa alegria, sugado a nossa energia, destruído a unidade, a santidade e a integridade da Noiva. Hoje vemos um povo frio, apático, cheio de desamor, incapaz de romper no sobrenatural e de viver a vida  abundante que Jesus Cristo conquistou para nós. 

Mas assim como viu o clamor e as dores do Seu povo no Egipto, Deus também tem visto como temos sido afligidos e Ele mesmo está a levantar homens e mulheres neste tempo, guiados pelo Espírito Santo, dependentes Dele, para fazerem a diferença e serem referências nesta geração.

Assim partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar os meninos. E subiu também com eles muita mistura de gente, e ovelhas, e bois, uma grande quantidade de gado. Êxodo 12:37,38

Quando lemos isto talvez não tenhamos a real consciência do que aconteceu, mas a Bíblia diz que eram cerca de seiscentos mil homens a pé mais as mulheres e crianças e outros que terão aproveitado a deixa para sair também daquela terra (vs 38). Eu sou péssima a matemática, mas se contarmos com as famílias completas então este número certamente duplicava! É muita gente! Muita gente mesmo! Para terem uma noção, só a cidade de Lisboa tem cerca de 550 mil habitantes... Conseguem imaginar todos os habitantes de Lisboa a mudarem-se, ao mesmo tempo, a pé, e com as suas tralhas todas? E ainda os animais? Agora imaginem mais do dobro disso! Que imagem incrível...

Thursday, August 25, 2016

POSICIONA-TE


Então o povo reclamava contra Moisés e dizia: Dêem-nos água para beber! (...) Por que nos fizeste sair do Egipto? Foi para nos matares à sede, a nós, aos nossos filhos e ao nosso gado?. Moisés invocou então o SENHOR e disse: Que hei-de fazer a este povo?. (...) O SENHOR respondeu-lhe: (...) Bate com a vara no rochedo e dele sairá água para o povo beber. Êxodo 17:3,4

Deus é muito paciente. Porque é preciso ter muita pachorra para aturar um povo que está sempre a reclamar... E assim era o povo israelita. Pareciam aquelas crianças pequenas que têm sempre qualquer coisa. Tenho sono, tenho fome, tenho xixi... Ou que choram porque estão cansadas. Ou porque querem o chupa-chupa e o pai não deu. Ou só porque sim. Que se atiram para o chão no supermercado a berrar. Que gritam para chamar a atenção. E podia continuar... 

A diferença é que as crianças podem fazer estas coisas, é normal que o façam, porque estão a crescer. São crianças, é assim que aprendem. Porque têm lá depois o pai e a mãe a corrigir e a ensinar os limites. Agora, adultos a fazer birra? 

Quando li este relato de Êxodo o Espírito Santo fez-me refletir... não é muito diferente do que vemos hoje, pois não? Um povo mimado, que questiona Deus constantemente, aquilo que Ele diz, aquilo que Ele faz, como faz, quando faz... um povo que reclama por tudo e por nada. Um povo que chega mesmo a colocar em causa o amor de Deus. Um povo, que devia ser maduro, a fazer birra. 

Quando era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Depois tornei-me adulto e deixei o modo de ser de criança. I Coríntios 13:11 

Voltastes a necessitar de leite, quando já devíeis estar recebendo alimento sólido! Ora, quem precisa alimentar-se de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. No entanto, o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante da fé, tornaram-se capazes de discernir tanto o bem quanto o mal. Hebreus 5:12-14

Há um tempo para sermos meninos na fé e há um tempo para crescermos. E não confundir esta meninice de que fala o apóstolo Paulo com o ser como criança que nos ensinou Jesus. Devemos ser puros como crianças, mas não podemos ser meninos no entendimento para sempre. As birras não são adequadas a filhos maduros, que sabem quem são em Cristo e que conhecem o Seu Pai. Filhos maduros compreendem o poder da oração, da obediência, da confiança e da dependência total em oposição ao queixume, lamentação, murmuração, reclamação... Resumindo, sabem que birras não funcionam e não resolvem problemas (menos ainda se espirituais). 

Monday, June 20, 2016

O MONTE E A PROMESSA


Tenho este nos rascunhos há umas semanas, mas ainda não tinha parado para o terminar. Realmente o tempo de Deus é algo curioso, já pensaram nisso? Algo acontece hoje, mas só vai ter impacto lá mais à frente, às vezes anos depois. Começamos algo hoje, mas só vemos a sua concretização muito tempo depois... Será que também há rascunhos na tua vida? Coisas guardadas em gavetas à espera de verem, finalmente, a luz do dia? Sabe que, com Deus, nada fica por escrever, a Seu tempo tudo o que Ele começou, encontra o seu fim. 

Hoje quero falar-vos sobre promessas e montes. E quero usar a conhecidíssima história de Abraão e Isaque como ponto de partida.

Toma Isaque, teu filho, teu único filho, a quem tu muito amas, e vai-te à terra de Moriá. Sacrifica-o ali como holocausto, sobre um dos montes, que Eu te indicarei!...
Abraão levantou-se bem cedo, selou seu jumento e tomou consigo dois de seus servos e seu amado filho Isaque. Ele ainda partiu a lenha para o holocausto e se pôs a caminho rumo ao lugar que Deus havia mostrado. 
No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar que Deus havia determinado. Génesis 22:2-4

Resumindo a história, Deus põe a fé de Abraão à prova e pede-lhe que sacrifique o filho Isaque, que Ele mesmo, Deus, lhe prometera e que Abraão tinha tido com Sara já na velhice. Abraão obedece, convicto de que Deus providenciaria o cordeiro para o sacrifício ou, mesmo que não, que ressuscitaria o menino. 

Durante três dias Abraão caminhou em direcção aquele monte, sem saber bem o que ia acontecer. Provavelmente conversou com Isaque durante a viagem, riram, brincaram, se calhar choraram... não sei, mas não acredito que aquele pai não tenha abraçado o filho, o filho que ele já não esperava ter e que agora ia entregar a Deus. Não, não posso acreditar que aquele homem não se tenha emocionado por um momento. Ele era homem, lembremo-nos disso. Humano, frágil, limitado, tal como nós. Eu no lugar dele abraçaria o meu filho com todas as minhas forças, para que ele tivesse a certeza de que eu o amava. E acredito que com Abraão não tenha sido diferente. Talvez enquanto Isaque dormia ele se esgueirasse para longe para elevar os seus pensamentos a Deus, para chorar e derramar o seu coração diante de Deus... Porque não?   

A Bíblia não nos dá muitos detalhes e por isso vemos sempre esta história de uma maneira muito ligeira, porque já sabemos o fim, mas Abraão não sabia. Ele apenas tinha fé de que Deus ia cumprir a promessa que lhe fizera lá em Génesis 17, mas ele não sabia como. E mesmo que Deus ressuscitasse o filho, como ele imaginava, acham que não lhe custava matar o próprio filho? Imagino o que terá passado pela cabeça daquele homem... pergunto-me se pensamentos como "será que foi mesmo Deus que falou comigo?" ou "porque é que Deus me faria uma coisa destas?", ou "será que o meu filho vai entender?" lhe passaram pela cabeça. Sabe Deus que passam pela nossa muitas vezes. E já pensaram onde é que Sara entrava no meio disto tudo? O que é que Abraão terá dito à mulher que ia fazer com o seu único filho? Será que aquela mãe sabia que o marido ia sacrificar o seu menino? 

Abraão caminhou durante três dias com Isaque e os seu servos, até que avistou o monte ao longe. Nesse momento pediu ao servos que esperassem ali por eles e subiu ao monte com o filho.  Muitos te acompanharão na caminhada, para te ajudar a carregar a lenha, para te proteger e até te servir, mas a subida ao monte é entre ti e Deus. És só tu e o fruto da tua obediência. Tu e o teu Isaque, seja ele um filho, um casamento, um ministério, um sonho... 

Eu não sei qual é o teu Isaque, mas subir ao monte dói. Subir ao monte do sacrifício é uma escolha pessoal de rendição total, de entrega completa ao Pai, crendo que Ele sabe o que faz e não nos pede mais do que podemos suportar. 

Talvez venhas sentindo que estás sozinho e talvez isso te esteja a custar. Sentes que és o suporte de todos, mas que ninguém te suporta a ti. Que dás e dás, mas só precisavas de receber um pouco. Estás a subir o monte. Abraão também estava nessa posição. Ali a subir ao monte agora só com o filho, sozinhos, ele não podia dar-se ao luxo de se ir abaixo. 

E quantas vezes é assim na nossa vida? Sorris por fora e tentas fortalecer todos à tua volta, mas por dentro só te apetece chorar. Quem é pai vai entender. Se estivesses a subir ao monte para sacrificar o teu filho certamente irias querer que ele se sentisse o mais seguro possível, verdade? Não ias querer que ele tivesse medo.  Provavelmente dirias "vai correr tudo bem". Abraão era pai, ora ponham-se na pele dele. Foi com certeza isso que ele fez. 

Wednesday, June 1, 2016

O CONVITE


Hoje apeteceu-me ler a Bíblia de maneira diferente e resolvi ligar a versão em áudio da Bíblia Online. Por incrível que pareça nunca tinha experimentado e até gostei, acho que me ajudou a concentrar (fica aqui a dica para quem não é muito amigo de ler. Vão a este site, escolham o que querem e é só clicar em "ouvi").
Ouvi (e acompanhei a leitura ao mesmo tempo) o capítulo 4 de Marcos e, por fim, detive-me numa frase. Transcrevi abaixo o versículo completo, mas o que me chamou mesmo a atenção foi o que escrevi a negrito. 

E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou. Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram- no. Mateus 4:21,22

Esta passagem conta-nos basicamente o momento em que, depois de ter chamado Simão Pedro e André, Jesus dá de caras com os filhos de Zebedeu, Tiago e João, e os chama. Não sei quanto a vocês, mas eu cá fiquei a tentar imaginar a cena. Comecei a imaginar Jesus a dar início ao Seu ministério e a passar pelas pessoas e a chamá-las. Como é que terá sido? Será que Ele chegava e pimbas ala-que-se-faz-tarde-anda-lá-comigo-curar-pessoas? É que quando lemos parece que é tudo muito rápido, mas eu cá acho que não foi bem assim (se calhar estou a cometer uma heresia qualquer, mas vá...deixem-me).
Cá com os meus botões eu imaginei que Jesus chegou e meteu conversa com eles. Pronto. Deve-se ter apresentado, perguntado o nome deles, quiçá perguntado se precisavam de ajuda para arranjar as redes... e conversa puxa conversa, os jovens devem ter começado a conversar sobre a vidinha e os seus sonhos e tal, digo eu! E Jesus, que não era um qualquer, com certeza disse-lhes coisas que lhes devem ter arregalados os olhos. Sei lá, qualquer coisa como "eu tenho uma missão, salvar o mundo, e preciso de ajuda" (Jesus devia ser um homem muito inspirador). Claro que eles não foram parvos, quando Jesus os convidou a seguir viagem com Ele, disseram logo que sim! Ora vamos lá ver na balança (se me estivessem a ver agora era mais fácil) ser pescador ou salvar o mundo? Salvar o mundo ou ser pescador?... A escolha deles a gente já sabe. 

[Pronto, se calhar não foi nada assim, mas na minha cabeça faz muito mais sentido. Deixem-me ser feliz ehe]

Deus chamou-nos. A cada um de nós, para O conhecermos e caminharmos com Ele. Ele convidou-nos a fazer parte de um Reino Eterno. Não são homens que te chamam, não é o teu vizinho, o teu amigo, a tua mulher, o pastor x ou y, não, é Deus, o Criador, o Autor e Consumador da nossa fé, é Ele quem chama a cada um pessoalmente. 

E este "chamou-os" que lemos no verso 21 vem do grego ekalesen, que significa chamar, convocar, convidar. Jesus não chegou e simplesmente gritou o nome deles como quando estamos na rua e passamos por alguém "oh manel!". Nada disso. Jesus fez-lhes um convite, que eles prontamente aceitaram. 

Tiago e João eram pessoas comuns, bem como o eram alguns dos outros discípulos, eram pescadores, homens simples, humildes até. Mas Jesus convidou-os a segui-lo, a participarem com Ele de uma missão maior. 

Ele também nos faz esse convite ainda hoje. A ti e a mim, independentemente do nosso estado civil, da nossa religião, da nossa cor, da língua que falamos, da roupa que vestimos, do dinheiro que temos na conta... Não importa. Deus não faz acepção de pessoas. Ele enviou Jesus, Seu filho, para que todos nós pudéssemos ser convidados a fazer parte do Reino. Para que todos pudéssemos ser filhos de Deus e um dia vivermos com Ele na Eternidade. 

A Bíblia diz-nos que estes jovens deixaram imediatamente o barco e o pai, que foi outra das coisas que chamou a minha atenção. 


Tuesday, May 17, 2016

PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR



Há uns dias estava num congresso de adoração (ultimamente parecem pipocas, há-os por todo o lado e ainda bem, porque bem precisamos de [aprender a] adorar mais e pedir menos) e Deus falou comigo. No meu coração saltava a palavra 'santidade' e a frase 'voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor' e aquilo mexeu tanto comigo. Até escrevi umas coisas no caderno para não me esquecer e achei que devia pensar melhor no tema e dedicar-lhe um texto aqui no blog. 

(...) voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; assim apareceu João, o Batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. Marcos 1:2-4

João Batista foi a voz do que clama no deserto. Escolhido de Deus ainda antes de nascer, João era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, uma das descendentes de Arão e prima de Maria, mãe de Jesus. Diz a Bíblia que Isabel e Zacarias andavam em justiça aos olhos de Deus e obedeciam de forma irrepreensível a todos os mandamentos e doutrinas do Senhor (Lc 1:6), mas que Isabel era estéril. 
Acho isto tão interessante. João era, antes de mais, um milagre, o filho desejado dos seus pais e o Senhor permitiu a esterilidade daquele casal, que O amava e O servia, porque tinha algo tremendo para fazer através da sua descendência. Às vezes também é assim connosco. Deus tem demorado a fazer algo na tua vida? Certamente Ele tem um plano maior que o teu. Deus é um Deus de propósitos. Ele pensa mais além do "eu" e do "agora". Espera com confiança, Ele sabe o que faz e certamente o fruto da tua espera será grande aos olhos do Senhor! 

E o menino crescia e se robustecia em espírito; e viveu no deserto até o dia em que havia de revelar-se publicamente a Israel. Lucas 1:80

João Batista era um homem com visão e propósito. Viveu no deserto até ao dia em que Deus o colocou no lugar certo. Muitas vezes não entendemos que Deus tem um tempo para tudo. E sim, há um tempo para viver no deserto e aprender a estar só, e só com o Pai. Como é que queremos que o Senhor nos use e se revele a nós se não somos capazes de estar no meio da adversidade com Ele? Queremos fazer e acontecer, mas esperar é para o irmão do lado. Não funciona assim, lamento. Primeiro crescemos, fortalecemo-nos no espírito, como João, e aprendemos a viver no deserto e então, no dia em que o Senhor nos chamar, Ele mesmo nos revelará publicamente a Jerusalém, que é a Igreja do Senhor! Deus tinha um tempo para João e tem um tempo para ti e para mim. Não apressemos o relógio dos céus, que conhece o dia e a hora é o Senhor.

Pois ele será grande aos olhos do Senhor, jamais beberá vinho nem qualquer outra bebida fermentada, e será pleno do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. 
E conduzirá muitos dos filhos de Israel à conversão ao Senhor, seu Deus. Ele avançará na presença do Senhor, no mesmo espírito e poder de Elias, com o propósito de fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, deixando um povo preparado para o Senhor”. Lucas 1:15-17

Pela descrição de Lucas e por outros textos, pensa-se que João Batista era nazireu, à semelhança de Sansão e Samuel. Os nazireus eram aqueles que na lei de Moisés se obrigavam por voto a abster-se de vinho e de todas as bebidas alcoólicas, a deixar crescer o cabelo e a não tocar em cadáveres.  Portanto, e é o que importa reter aqui, João era um homem consagrado a Deus, santificado, separado. Ele não era igual a tantos outros.  Ele era pleno, cheio, do Espírito Santo, já desde o ventre da sua mãe. Uau!

João foi escolhido por Deus e chamado para uma grande obra e não é possível fazer uma grande obra para Deus sem santificação. Porque sem santidade ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Nos dias de hoje não é diferente. É claro que não vamos agora tornar-nos nazireus, mas o que importa é a revelação que o Espírito Santo nos traz daí e confesso que só agora entendo o que Ele me queria dizer naquela conferência. É tempo de nos santificarmos, cada um de nós, filhos de Deus, para que outros possam também vir ao conhecimento da Verdade, que se chama Jesus!



Santificai-vos, porque amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de vós! Josué 3:5

[Santo no gr. hagios hb. Kadosh] quer dizer separado. É aquele que se separa do mal, e se dedica ao serviço de Deus. É o ato de santificar, tornar sagrado, santo; separado do mundo e do pecado; dedicado exclusivamente a Deus; ter uma vida de santificação.

Santidade é uma das características do Senhor, logo precisa de ser também nossa, já que nós fomos criados à Sua imagem e semelhança. E o chamado à santificação não vem do tempo de Jesus ou de Paulo, vem de muito antes. Lá no Antigo Testamento vemos Deus por várias vezes a falar da sua santidade e a exortar o povo a se santificar. "Eu sou santo", "eu vos santifico", "sereis santos", "eu vos separei", "vos santificarei" são expressões que lemos n vezes em toda a Bíblia.

Friday, April 29, 2016

CARTA À MINHA MÃE



Mamã, acho que era assim que te chamava quando era mais pequenina e acho que tu gostavas. Talvez te fizesse sentir que eu seria a tua pequenina para sempre. Mas depois eu cresci. Cresci e as nossas vidas afastaram-se. Não fisicamente, mas emocionalmente. Continuavas a ser a minha mãe, mas eras difícil. Eu pelo menos achava. Achava que não me entendias e que não fazias ideia do que estavas a fazer, comigo. O meu coração fechou-se, pouco a pouco. Era a minha maneira de me tentar proteger da dor e, ao mesmo tempo, tentar guardar o amor em algum lado. Fechei-o de tal forma a sete chaves que tive dificuldade a encontrá-lo mais tarde. 

Culpei-te. Pelas minhas frustrações, pelos meus comportamentos, pelas minhas falhas, pelas minhas más respostas. Culpei-te pela vida que não tive e pelo que não fui. Porque tu devias ser a minha mãe, aquela super-heroína que faz tudo e salva todos. Mas não eras. Eu achava que não eras, porque sentia que me fazias sofrer. Fartei-me dos gritos, das discussões sem sentido, de me sentir rejeitada. Queria, por um momento, ser eu o centro. Queria, por um momento, ser eu mesma, descobrir quem era, sentir que existia como Diana e não só como filha de alguém. 

Mas um dia a minha vida mudou. Deus encontrou-me e pegou-me pela mão. Eu dei-lha sem medos. Precisava de um pai e de uma mãe. Achava que não tinha nenhum dos dois. Precisava de uma mãe que não me julgasse, que não me criticasse, que me ouvisse e que me pegasse ao colo. E Deus foi tudo isso. Foi o pai que nunca tive e foi a mãe que eu achava não ter. E Ele curou as minhas feridas. Mostrou-me cada uma delas e limpou-as devagar, bem devagar.

Então trocou a minha dor por alegria, deu-me um coração cheio de graça, de perdão, de misericórdia e de amor. Ele encheu-me de tanto amor. E foi o amor que, dia após dia, me foi ensinando e mostrando a realidade como ela é. E Deus mostrou-me a mãe que gostarias de ter sido, mas que a vida não te permitiu ser. E fui entendendo que a minha luta não era contra ti. A Bíblia ensinou-me que não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, e contra os espíritos do mal, que não se vêem (Efésios 6:11). Tu querias, mas não conseguias. 

Tuesday, April 12, 2016

(ADORAÇÃO) DE CORAÇÃO


É desta. É agora ou nunca! Pedi a minha hora de almoço emprestada ao estômago para escrever (finalmente!) este texto, senão nunca mais. Deus nos ajude a remir o tempo, porque parece que ele voa cada vez mais rápido (será só comigo?)!

Há uns tempos estava na igreja e sentia uma opressão, como se algo estivesse a impedir o mover de Deus naquele lugar. Comecei a orar e perguntei a Deus o que se passava. Dentro de mim ouvi o Espírito Santo: "este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim". Comecei a chorar. Fiquei triste, muito triste, porque queria mais, precisava de mais e sei que muitos dos que ali estavam também precisavam. Sei que Deus quer derramar mais, muito mais, mas também sei que nós somos o maior impedimento para que isso aconteça. Nós, seres humanos, nas nossas atitudes, nas nossas escolhas... 

Esta palavra está originalmente em Isaías, quando este profetizava para Ariel [Leão de Deus], um dos nomes de Jerusalém. Dizia o profeta:
Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; Isaías 29:13

No Novo Testamento vemos novamente esta palavra ser referenciada, desta feita por Jesus, quando questionado por uns escribas e fariseus de Jerusalém a propósito de uma tradição que os discípulos não respeitariam:

Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens. Mateus 15:7-9

Deus é perito em fazer-nos focar no que realmente importa. E para Ele, o que importa é o amor. Ele, que é amor, que deu o Seu único filho por amor, que ama o pecador, que corrige com amor, não nos pede nada mais, senão o nosso amor. Em Provérbios 26:23 lemos de forma clara Deus dizer Filho meu, dá-me o teu coração, mas se dúvidas houvesse, o próprio Jesus ensina nos evangelhos: Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças, este é o primeiro mandamento. (Marcos 12:30)

Assim sendo, não é difícil perceber que Deus não se mova quando está perante uma adoração pela metade, feita apenas de liturgias, de hábitos ou, como o profeta Isaías descreveu, de "mandamentos de homens em que foi instruído". Ir à igreja ao domingo, levantar as mãos, cantar, abrir a Bíblia, ouvir a pregação, tomar a ceia, nada disso por si só faz de nós adoradores. E Jesus foi claro quando disse que o Pai procura os verdadeiros adoradores, que o adoram em espírito e em verdade (João 4:23).