Tuesday, December 22, 2015

#1 ESPELHO DA ALMA: OS IZUMI


O tempo tem sido curto para escrever e a vontade pouca também, confesso, mas estamos quase a terminar mais um ano e, como não sei se conseguirei passar por cá depois, decidi encerrar este 2015 com algo especial. :) Apresento-vos a nova rubrica do blog, que apelidei de "Espelho da alma", e que consistirá em entrevistas a pessoas especiais, pessoas que, de alguma forma, são exemplo de superação, de força, e de fé...  pessoas com história, que me e vos inspirem a continuar a lutar todos os dias e a nunca desistir.  

Para este primeiríssimo "Espelho da alma" lancei o desafio à Tânia e ao Alexandre Izumi, um casal cheio de fé, pais de três filhos lindos e que viveram um milagre incrível na terceira gravidez. Com poucas semanas de gestação a Tânia perdeu todo o líquido amniótico, indispensável à vida in utero. Os médicos disseram que a gravidez era inviável e recomendaram o aborto. A Tânia e o Alexandre recusaram e avançaram com a gravidez, mesmo sendo apelidados de irresponsáveis, firmes na promessa de que o seu bebé seria um milagre de Deus. E foi. A Zoey nasceu, contra todos os prognósticos médicos, perfeita e saudável. Mas a luta foi dura... 

A história da Zoey está no Facebook (passem por lá, façam "gosto" e partilhem) e até já passou num programa de televisão, mas eu queria realmente partilhar convosco o testemunho destes pais, na primeira pessoa, porque eles, mais do que cristãos, são pessoas reais, como nós, e enfrentaram um problema bem real. Que a sua fé vos possa inspirar também, como me inspirou a mim.

Como mulher cristã, filha de Deus, o que é que sentiste quando te disseram que a tua gravidez não era viável? Tiveste medo? Dúvida? Como é que reagiste a esta notícia? 


Quando recebi a notícia de que a gravidez não era viável, não quis acreditar que aquilo estava a acontecer comigo, justo eu, Deus sabe que eu sou tão frágil, Deus sabe que eu não suportarei outro aborto, outra perda. Foi este o pensamento e um misto de emoções, porque ao mesmo tempo que os pensamentos corriam na minha mente dizendo eles são médicos tens de aceitar, eles sabem o que estão a dizer, eu sabia que não podia deixar as minhas emoções se abalarem porque não queria passar para o baby essa insegurança. 

Existia uma luta de alguém que sabe o que é dito “normal”, “natural”, porque eu ouvia-os e nas explicações deles tudo batia certo, afinal de contas eu já tinha tido dois nados vivos, já tinha estudado biologia, então eles não estavam a dizer nenhuma asneira. Mas por outro, como mulher cristã, sabia que esse Deus que deu a vida, só Ele e apenas Ele tinha o poder de fazer o que quisesse com ela. Esse Deus que eu conheço é um Deus de poder, já O experimentei tantas vezes, e por breves segundos, pensava será que vai acontecer comigo? Que será que Ele vai fazer desta vez? 

Senti medo, claro, medo da perda, medo de mais um sonho frustrado, porque uma gravidez é um sonho. Qualquer mulher antes de engravidar sonha com o dia em que está grávida, não importa se pela 1ª vez, 2ª ou 4ª vez, e eu estava a viver mais um sonho, que eu não queria que se tornasse num pesadelo, seria doloroso demais. 

Mas a minha, a nossa reação, (sim nossa, porque a decisão, sempre foi dos dois, minha e do meu marido) foi de "enquanto o coração bater, existe vida". E existia um coração a bater, então havia vida, não iríamos nós fazer parar esse som maravilhoso. 


O que é que mantém uma mulher a quem médicos dizem que deve abortar porque o seu bebé vai morrer, firme ao ponto de ser capaz de manter uma gravidez até ao fim, contra tudo e contra todos? 


A fé Diana, apenas isso nos mantém firmes em algo que não é visível, que não é palpável. Porque nem as ecografias poderiam ajudar, pois eram tão ilegíveis que nem isso ajudava a pensar "se calhar vai correr tudo bem". Durante toda a gravidez nunca vi a minha filha, apenas um saco roto e sem qualquer espaço para que ela se conseguisse esticar. 
Não eram as palavras de médicos que animavam, nem mesmo as muitas vozes que se levantavam com preocupações, afinal com uma bolsa rota, eu sofria o risco de ter uma infeção, risco de vida mesmo. 

Wednesday, November 11, 2015

MUDANÇAS


Perdoem-me não conseguir escrever mais vezes aqui, o tempo é curto para tanta coisa, mas tenho novidades a caminho e, em breve, terei uma nova "rúbrica" (chamemos-lhe assim) para vocês aqui no blog! Ah, e em breve também poderão ouvir alguns pensamentos meus na Rádio NAIC, que podem ouvir aqui: www.naic.pt/radio. Assim que estiver no ar, prometo que aviso! Como vêem, tenho andado ocupada :) Enquanto não estou por aqui, podem acompanhar-me diariamente na página oficial d'o pro[fé]ta no Facebook, aqui

Bom, mas contadas as novidades, hoje gostava vos falar de plantas. Para quem não sabe, eu adoro plantas e tenho uma pequena varanda onde vou vendo crescer algumas espécies. Uma das plantas mais antigas que tenho foi-me oferecida pela avó do meu marido e já a tenho desde que casámos. Sempre esteve dentro de casa, mas quando mudámos para esta casa nova, fiquei super feliz por poder exibi-la na minha varanda aberta (é um planta que era de exterior originalmente).  

Acontece que desde que mudámos, há já mais de um ano, a planta não crescia e aquilo aborrecia-me. Sei que as plantas, aliás, tal como nós, precisam de tempo para se adaptar a um novo ambiente, mas um ano? Parecia-me demais. Pensei que fosse necessidade de poda, podei-a, nada. Pensei que precisasse de mais água, regava-a, nada. Também não era falta de adubo... o que poderia ser? 

Às vezes também é assim connosco, não é? Muitas vezes achamos que estamos no lugar certo, mas a nossa vida não muda. Nada floresce, nada brilha, nada acontece. E o que parece até começar a acontecer, rapidamente morre. Tentamos de tudo e nada. Não percebemos porque é que a nossa vida não anda para a frente. O certo é que não anda. 

Certo dia estou eu de férias e entro num horto. A vendedora, muito simpática, sugeriu-me resguardar a planta, colocando-a num sítio mais protegido. E assim fiz. Mantive-a lá fora, mas num local mais abrigado e não queria acreditar! Nem uma semana se passou e aquela planta parecia que tinha nascido de novo. De repente, tudo mudou. Porque eu a mudei de sítio!? É que vocês não estão bem a entender, eu coloquei-a a apenas uns centímetros de distância, mas fez toda a diferença, porque ali ela estava mais protegida pelas plantas do lado. 

E, de repente, aquelas folhas que cresciam tímidas e logo ficavam sem cor, secavam e caíam, tornaram-se viçosas, verdes, brilhantes, enormes e lindas. A planta começou a ficar frondosa e cheia de vida. Inacreditável. 

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;

E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. Mateus 7:24-27

"Aquele que escuta as minhas palavras e as pratica". Isto é tão grande... engloba taaanta coisa, meu Deus! Será que estamos nesse lugar? Será que podemos ser comparados ao homem que firmou a sua casa na rocha? Ou será que temos negociado pequenas coisas, que parecem tão insignificantes, mas que nos têm afastado do centro da vontade de Deus? 

Parecia-me tão inócuo deixar aquela planta ali. Ao início parecia estar tudo perfeito. Depois pensei que fosse normal. Talvez pareça também que está tudo bem na tua vida, ou talvez aches que é normal o que se está a passar... E deixem-me fazer aqui um parêntesis. Realmente às vezes há tempos na nossa vida em que nada acontece e é normal, são estações, tempos que vêm e vão, mas que vêm para crescimento, com um propósito. Não é disso que estou a falar aqui hoje. 

Monday, October 19, 2015

A TEMPESTADE


Ontem um texto começou a desenhar-se na minha mente. Agarrei na Bíblia e fui ler o livro de Jonas. Ainda mal tinha começado e puff, Deus troca-me as voltas! Este Deus é tão incrível, nunca me canso de o dizer. Nem sei se ainda irei escrever sobre o que tinha pensado originalmente, ou não, mas hoje trago-vos algo que achei delicioso e que é, decididamente, muito sério e da parte do Pai para muitos de nós.  

Jonas, porém, ficou com medo e preferiu fugir do Senhor. Foi até ao mar, ao porto e Jope, onde descobriu um navio que ia para Társis. Comprou a sua passagem, embarcou e desceu para o escuro porão do navio, para se esconder do Senhor. 
Mas, durante a viagem, de repente, o senhor mandou um vento terrível que agitou o mar e formou uma grande tempestade. Tão grande que o navio estava quase a partir-se ao meio. Jonas 1:3,4

Comecemos então pelo princípio. Jonas recebe uma ordem de Deus e, em vez de obedecer, foge com o rabinho entre as pernas. Apanha um navio para Társis e esconde-se do Senhor (como se isso fosse possível). O problema é que, já diz a expressão, "you can run, but you cannot hide"... e, como é  óbvio, Deus, que não achou graça nenhuma à atitude imatura do profeta, não vai de modos e agita o mar de tal forma, que se formou uma grande tempestade. E pronto, está o caldo entornado.

Para os que já me conhecem, já estão mesmo a ver que isto não vai ser o que parece. (: Mas venham comigo, prometo que vai valer a pena. 

Vamos imaginar, por momentos, que este navio é a tua vida. Estás tu a caminho das promessas que Deus te deu, a caminho de um sonho qualquer e, "de repente", durante a viagem, começa "uma grande tempestade". Isto é tremendo. Quero que entendas a profundidade do que Deus nos está a revelar. 

É de repente. Aqueles marinheiros não estavam à espera. O mar devia estar calmo... E talvez tenha acontecido o mesmo contigo. Tudo parecia bem e, de repente, levantou-se tudo contra ti. De repente, os ventos levantaram-se e tudo desabou. Talvez tenhas ficado desempregado, ou o carro avariou, os filhos adoeceram,  a casa foi penhorada, foi-te diagnosticada uma doença grave, o teu ministério desmoronou, a tua casa está o caos... não faço ideia qual seja a tua tempestade, mas uma coisa é certa, o desespero tomou conta do teu coração. O medo da morte está aí, bem perto. 

Com muito medo de morrer, os marinheiros, desesperados, gritavam pedindo ajuda aos seus deuses. Para o navio ficar mais leve, começaram a jogar a carga ao mar. Enquanto tudo isso acontecia, Jonas dormia tranquilamente no porão. Jonas 1:5

O ser humano é muito previsível. Quando estamos muito mal, com medo de morrer, medidas drásticas impõem-se. Acho interessante a reacção dos nossos amigos marinheiros. Diz que ele gritavam a pedir ajuda aos seus deuses... A quem é que tu tens pedido ajuda? Será que na tempestade tu clamas ao Deus que pode todas as coisas, ou será que te voltas para os amigos? Para a família? Quem sabe, talvez o teu problema seja falta de dinheiro, e a tua reacção foi procurar mais trabalhos, para sustentares a família. Ou será que o teu apoio é o teu namorado/marido/mulher? 

Quando a tempestade chega ao teu navio, por quem gritas tu? Será que clamas por Deus, ou será que gritas, em pânico, por ajuda aos teus "deuses"?

Monday, October 12, 2015

COMO SER FELIZ


O mundo parece perseguir um sonho: ser feliz. Está na boca de todos, está em todos os pedidos secretos feitos ao trincar a vela nos aniversários, está nas listas feitas no Ano Novo, está nos corações dos pequenos e dos grandes, está nos filmes, nos desenhos animados, nas novelas, nas campanhas de publicidade. Se a felicidade pudesse ser vendida, provavelmente haveria por aí alguém muito rico. Infelizmente (ou não) a felicidade não está à venda. Não, ela não se pode comprar. Ela constrói-se. Ela merece-se. Ela é fruto do esforço. E o melhor? É para todos. Os que querem, claro. 

Não sou de escrever textos do tipo "10 passos para ser feliz", mas acredito que colocar alguns pensamentos por pontos hoje vai ajudar a expor melhor aquilo que quero partilhar convosco. Então, o que me pretendo fazer não é ensinar-vos uma receita mágica para a felicidade, mas sim desmistificar algumas coisas que aprendemos ao longo da vida e que só nos levam ao fracasso e à frustração. Vamos lá...


Descobre quem és 

Durante muitos anos andei perdida. Não sabia muito bem quem era. E quando não sabemos quem somos, fazemos de tudo um pouco, até acertar. Erramos muito, portanto. É crucial saber quem somos. Não compreender que não somos um fruto do acaso e que temos imenso potencial é devastador, especialmente para alguém que, como eu, estava em formação. Não saberes quem és leva-te a tomar decisões erradas, atitudes erradas, a seguir pessoas erradas... é preciso entender e abraçar quem somos para então trabalhar em cima disso. É um pouco como tu descobrires de repente que tens um dom para cozinhar. A partir daquele momento tu vais perceber que há áreas em que és mais frágil que outras, vais descobrir que há sabores que não combinam contigo, que há aromas que te conquistam quando utilizados em conjunto... o teu mundo muda, a tua visão muda, a forma como olhas para o que te rodeia transforma-se. 

No meu caso foi preciso que Deus me mostrasse quem eu sou. Infelizmente demorei uns aninhos a perceber o diamante em bruto que precisava de ser lapidado. Eu estava mais para o "bruto" do que para o diamante (: Mas Deus na sua infinita misericórdia mostrou-me que eu era especial, que Ele me criou com tanto cuidado e tanta mestria, à Sua imagem e semelhança, que eu não podia ser aquilo que alguns diziam. Tinha de haver mais. Eu era mais. Afinal, eu era meiga e até gostava de abraços. Deus é um pintor extraordinário e tu és a mais bonita tela que Ele pintou. Na caminhada sujaram a tua tela, mas deixa que Ele te mostre o que está aí por baixo. Quem mais senão o próprio Autor poderia fazer isso? Quando descobrires quem és, a tua vida vai mudar. E por causa disso vais mudar também de rumo. 


Não tenhas medo de mudar de direcção

Não importa o que fizeste até aqui. Quando percebes quem és, uma mudança de direcção impõe-se! A felicidade conquista-se com atitudes. "Decisões decidem destinos", como diria alguém que eu conheço. Se queres mudar a tua história, começa por mudar a forma como a escreves.

Tu és uma jóia preciosa, não vais querer perder mais tempo. Há toda uma vida nova à tua espera. Deus abriu o caminho, através de Jesus, segue em frente, não olhes para trás. Sem medos. Deus é a tua força. Ele promete guiar cada passo que deres. Prometo que nem vais acreditar na pessoa que és!  Como é que nunca ninguém tinha percebido? Mas agora que Deus te revelou quem és, nunca mais serás o mesmo. Tudo é possível, tu és capaz, se somente acreditares! A fé vai-te levar a lugares com que nunca sonhaste. Vais tomar atitudes e dizer coisas que nunca pensaste ser possível. Vais perceber em ti uma calma que não existia, uma capacidade de pensar antes de falar que não tinhas antes. Vais ver os outros com outros olhos.

Nada mais será igual, os teus planos precisam de mudar. Precisam de passar a ser os planos Dele. E se Ele disser que é para a esquerda, não hesites. Ele sabe o que é melhor. Vai! Garanto-te, vai valer a pena! 

Friday, October 9, 2015

BOM DIA VIDA!


Passamos pela vida todos os dias, mas não paramos para olhar para ela. Para agradecer as pequenas coisas que ela nos oferece, sem pedir nada em troca. Não a contemplamos. Não a vivemos. Passamos por ela. 

Saint-Exupéry, no livo "O Principezinho", dizia que "aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós". Eu pergunto-me, e nós? Passamos por ela [a vida] e o que deixamos? 

Ontem à noite deitei-me na cama e escrevi isto, no telemóvel, para publicar hoje aqui. Era tarde, mas eu agradeci a Deus pelos lençóis limpos, a cama feita de lavado, e pelos meus pés, lavados por águinha quente e corrente, que ali deslizavam. Que sensação tão boa. Que coisa tão parva, dizem alguns. E venho aqui perder tempo a escrever isto. Eu sei, parece parvo e sei que não é um texto habitual. Tenho vários para escrever, mas o tempo não tem estado do meu lado [ou eu do dele, nem sei bem]. Este é curto e é para todos. Nada de grandes teorias bíblicas. Nada de grandes versículos e palavras eloquentes. Este é só para relembrar-vos que a vida tem mais para se apreciar, do que o que nós imaginamos. 

Hoje é sexta-feira e como eu ouvi ontem  passou já quase uma semana. A segunda, a terça, a quarta, a quinta, já não voltam. Perdeste a oportunidade de fazer o que tinhas de fazer, se não o fizeste. 

Não deixem a vida passar por vocês. Não passem vocês por ela. Párem, por dois segundos que seja, e olhem à vossa volta. Cumprimentem a senhora que limpa a casa de banho no vosso trabalho; reparem no sol maravilhoso com que fomos brindados esta manhã; percebam o sorriso dos vossos filhos; reparem no vosso frigorífico com tanto, quando há tantos com tão pouco; olhem ao espelho e vejam como são saudáveis; agradeçam pelo carro que vos conduz; pelas roupas que vestem; reparem nas flores que ainda permanecem pelo caminho; oiçam o passarinho que canta; o cão que brinca... Olhem para as pequenas coisas e vejam-nas. Estamos tão habituados a deitar-nos em lençóis lavados, que já não lhes damos o devido valor. Anestesiados, é o que a malta anda. E quem está anestesiado não sente, não percebe, não realiza, não vê. 

Eu não quero estar anestesiada, eu quero viver a vida com tudo o que posso e tenho. Eu quero, mais do que passar por ela, deixar nela uma marca, a minha marca. A marca que Deus imprimiu em mim. 

Hoje é sexta-feira e eu tenho um recado para a vida. Eu não vou passar por ti. Nem tu por mim. Eu estou aqui e tu vais ter de me aturar. Vou-te viver até poder. Vou-te sentir e vou-te dar o meu melhor. Até Deus me permitir. Eu vejo-te. 

Não faças da tua vida um rascunho; pode acontecer que não haja tempo de o passares a limpo. Pr. Márcio Leareno

Para seguir o pro(fé)ta no Facebook é aqui

Friday, September 11, 2015

REFUGIADOS - O QUE PENSA DEUS?


É quase vergonhoso dizer isto, mas estou a tentar escrever este texto há provavelmente mais de uma semana. Ok, não é muito diferente do que já aconteceu com outros, mas este é mesmo sensível (o tema, não o texto, bom, talvez ambos). Certo é que os refugiados estão a dar que falar (e que partilhar) e se antes não sentia necessidade de escrever sobre isso só porque todos escreviam (também porque nem sabia bem se ia acrescentar alguma coisa), a verdade é que agora sinto que tenho quase a obrigação de o fazer. E digo obrigação, não porque tenho de ir na onda da malta e porque é moda agora opinar sobre a coisa, mas porque sou cristã, seguidora de Cristo, entenda-se, e com um blog chamado "o pro(fé)ta". Por esse motivo tenho, mais do que o direito, o dever, de partilhar convosco, não a minha opinião, mas a de Deus, a respeito de tudo isto. Foi a Sua vontade que procurei nas Escrituras, porque é por ela que me quero deixar guiar. Se é assim noutros temas do quotidiano, neste não poderia ser diferente. Em boa verdade, estaria a ser hipócrita se fosse de outra forma.

E por falar em hipocrisia, começo já por dizer que estaria a mentir se não admitisse que tenho mixed feelings quando penso nesta crise de refugiados. São "mixed" porque, se por um lado, penso nas pessoas a sofrer e me encho de compaixão, por outro penso "e se com os bons vierem uns doidos que vão tirar a nossa paz"?

Portanto, antes que tirem conclusões precipitadas, não, eu não sou uma totó ingénua que se esconde em Deus e acha que isto é tudo peace&love e está tudo bem. Não, eu não sou nenhuma totó, eu sou apenas uma pessoa, como vocês, e tenho dúvidas sim, questionamentos sim, e medos também às vezes, sim. Mas a minha fé em Deus e o meu relacionamento com Ele permite-me ter outras coisas, outras coisas que me levam a não ver como o mundo vê. Não porque eu seja especial, convém explicar, mas porque Ele é! E porque Ele vê a coisa de uma maneira diferente de todos, eu também vejo, porque Ele empresta-me os Seus olhos e o Seu coração.

Por causa Dele, quando algum dos sentimentos que referi anteriormente me assolam, eu tenho uma uma certeza: Ele está no controlo. Ele está. E Ele É. E isso basta-me.

É estranho, eu sei. E é de loucos, eu também sei. Mas é assim mesmo. É que Deus é a minha cena, percebem? E isso significa Amor, com "A" maiúsculo e grande. E isso significa Paz "que excede todo o entendimento" (que é, como quem diz, eu tenho paz mesmo no meio da guerra, por assim dizer e a malta acha que eu sou doida). E isso significa ser doido para uns, mas para mim significa confiar em quem sabe mais. Significa, portanto, ser sábia e inteligente (não querendo com isto ofender quem não pensa como eu, não me interpretem mal). (:

Mas continuando, eu sou aquela que só não ajuda se não puder e que se preocupa realmente com as pessoas que estão a fugir de uma guerra, da mesma forma que se preocupa com amigos desempregados e/ou em dificuldades ou desconhecidos que não têm o que comer. Que fique claro, desde já, que para mim são todos pessoas, independentemente da sua língua, cor, credo ou cultura. 

Mas sou humana, como dizia há pouco, e por isso sim, às vezes sou também aquela que receia pela paz de um país que está numa situação limite, como é o caso de Portugal. Sou aquela que teme pelo caos que se pode instaurar quando um país que tem tido dificuldade em gerir o seu próprio povo, recebe refugiados de uma cultura e religião totalmente diferente, senão mesmo oposta à sua. Sou aquela que fica de coração apertado porque teme que algumas pessoas mal intencionadas e instigadas por radicalismos religiosos, coloquem em causa a minha/nossa liberdade. 


Monday, September 7, 2015

PROVÉRBIOS 7


*Texto editado a 8 de Setembro, às 11h55

Hoje é o dia 7 do nosso #desafioprovérbios e, se à primeira vista o capítulo me pareceu meio sem graça, depois de pensar um pouco mudei de ideias e decidi escrever algumas linhas aqui no blog. 

Não permitas que teu coração se desvie para o caminho da mulher imoral, nem vagues desorientado pelas trilhas dessa pessoa. Inúmeras foram as suas vítimas; e muitos são os que por ela foram mortos! Provérbios 7:25,26

Salomão adverte muitas vezes ao longo do livro de provérbios o jovem/homem a desviar-se da "mulher adúltera" e da "mulher imoral", mas o capítulo 7 de Provérbios é basicamente todo ele sobre este tema. E se à primeira vista pode parecer que isto é não é para nós mulheres, leiam até ao fim que eu acho que são capazes de mudar de ideias. 

Dize à sabedoria: Tu és minha irmã; e chama ao entendimento teu amigo íntimo, para te guardarem da mulher alheia, da adúltera, que lisonjeia com as suas palavras. vs. 4,5

Ok, acho que é bastante óbvio que os homens se devem manter longe da mulher adúltera, alheia, leviana, imoral (noutras versões), enfim, como lhe quiserem chamar. E não só os cristãos, todos... Por favor, tenham juízo! Mas os cristãos, bom, esses ainda mais, afinal Deus é puro e santo e sem santidade ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14), certo? Essa história de que o fruto proibído é o mais apetecido até pode pegar no mundo, mas definitivamente não pode andar na boca (e menos ainda na atitude) de um filho de Deus. 

A mulher, se é alheia, é a mulher de outro alguém, logo, está off-limits, ok? Não é nada fixe meterem-se com uma mulher casada, nada fixe mesmo. Homens, por favor, corram dessa armadilha! 

Mas de quem é que estamos a falar? Quem é esta mulher adúltera/ alheia/ leviana/ imoral sobre a qual nos adverte Salomão e de quem os jovens/homens devem fugir? Vamos aprender a reconhecê-la, para então evitá-la:

(...) ornada à moda das prostitutas, e astuta de coração. Ela é turbulenta e obstinada; não param em casa os seus pés; ora está ela pelas ruas, ora pelas praças, espreitando por todos os cantos. Provérbios 7: 10-12
Ela o faz ceder com a multidão das suas palavras sedutoras, com as lisonjas dos seus lábios o arrasta. Provérbios 7:21

Veste-se com roupas provocadoras, é astuta e ardilosa, sedutora, obstinada, persistente, não desiste até ter o que quer. Não pára em casa, anda por aí na boa-vai-ela, sempre à procura de uma "presa fácil para caçar".  É lisonjeadora e manipuladora, e sabe usar as palavras a seu favor. 

A mulher que Salomão retrata aqui é casada, o que torna o cenário negro, já que quando esta mulher seduz um homem, conforme o texto descreve, está a entrar no campo da infidelidade, trazendo graves problemas não só para o seu relacionamento, mas também para o homem com quem ela se envolve (e respectiva família, caso seja também ele casado). 

Tuesday, September 1, 2015

DESAFIO PROVÉRBIOS


A partir de hoje, e até ao próximo dia 1 de Outubro, estarei por aqui com o Desafio Provérbios, um desafio que fiz a mim mesma de ler um capítulo de Provérbios por dia, durante 31 dias, completando, assim, a leitura de todo o livro. 

Esta é uma ferramenta que se pode utilizar como parte da leitura da Bíblia num ano e quando a encontrei, por acaso, pensei que seria um excelente desafio para me propor a mim mesma e, claro, a todos vocês que me lêem. :) 

Para aprender a viver de maneira inteligente e disciplinada; para entender os ensinos que produzem sabedoria; para desenvolver um carácter correto e perspicaz, vivendo de maneira justa, com para dar prudência aos simples, assim como conhecimento e juízo aos jovens. Provérbios 1:2-4

Ora, mas afinal para que é que isto serve e quem é que beneficia deste desafio? Diz Salomão que os simples, os jovens e os sábios. Todos, portanto, diria eu. 

Afinal, quem é que não quer aprender a viver de maneira inteligente e disciplinada? Ou entender os ensinos que produzem sabedoria? Ou até desenvolver um carácter correto e perspicaz? Quem é que, no seu juízo perfeito, não quer viver de maneira justa e com prudência? Ou adquirir juízo e conhecimento (se ainda o não tiver)? 

Mesmo o sábio que lhes der ouvidos aumentará em muito seu entendimento. Provérbios 1:5

Mas a minha parte preferida está neste versículo... Se acham que já sabem tudo, que são mesmo muuuuito sábios, este desafio também é para vocês. É que este livro de Provérbios promete aumentar "em muito" o vosso entendimento. Não é fantástico? Eu bem disse que isto era para todos! 


Friday, August 28, 2015

(DES)FOCADOS



Este texto saiu a ferros! Aliás, parece que isto está a tornar-se um hábito... talvez porque algures por aí há um certo alguém que não gosta que os filhos de Deus digam (e oiçam/leiam) a Verdade. 

No último texto que escrevi aqui no blog falei sobre a dracma perdida e referi que talvez no próximo escrevesse sobre a prioridade de Jesus - os perdidos. E foi precisamente sobre este tema que Deus me levou a reflectir ontem à noite enquanto orava.

Horas antes tinha ouvido uma pregação online sobre a transformação que devemos permitir Deus fazer em nós e, entre outras coisas, no final da mensagem aquela pastora sugeria que as mulheres na audiência orassem por um útero espiritual fértil e pedissem a Deus que lhes desse paixão por vidas [partilhei a pregação na página de facebook do pro(fé)ta, se quiserem ouvir]. Eu gravei aquelas palavras e à noite quando fui orar começei a trazer à memória tudo o que Deus tem operado na minha vida.

Ele curou-me de feridas profundas na alma, ajudou-me a perdoar, libertou-me de um passado que me atormentava, ensinou-me a amar e a ter compaixão por outros. Ensinou-me a humildade e mostrou-me a importância da sabedoria e do temor... Ensinou-me a pensar antes de falar, a ser mais ponderada, mais paciente, mais calma.

E, enquanto orava, as lágrimas caíam-me, senti-me tão grata pela obra de transformação incrivelmente profunda que este Deus maravilhoso fez em mim. Meu Deus, como Ele me mudou, me moldou. Certamente hoje sou uma mulher muito melhor do que alguma vez fui e a Ele o devo.

[Deixem-me abrir aqui um parêntesis...]

Esta obra de transformação em nós nunca está verdadeiramente completa. O próprio apóstolo Paulo dizia "não julgo havê-lo alcançado" (Filipenses 3:13), então, o Senhor Ele aperfeiçoa-nos a cada dia mais e mais. Se nunca mais vamos errar? Quem me dera... Infelizmente em alguns momentos não seremos o que é suposto, vamos sim errar, vamos sim cair, mas é suposto essa ser a excepção, não a regra. E quando isso acontecer, é preciso que nos lembremos de algo que Deus me disse um dia: "aquilo que fazes às vezes, não determina quem tu és".  Os teus erros excepcionais não mudam a obra que Deus começou em ti. Ainda que falhes, nunca mais serás a pessoa que foste. Levem este ensino convosco e não deixem que o inimigo vos diga o contrário, combinado?

Mas continuando, ali estava eu, a recordar a transformação que Deus operou em mim e dizia eu "Pai tu amaste-me, curaste-me, libertaste-me, deste-me uma nova identidade, uma nova  história, realmente transformaste-me, eu sou uma nova mulher, mas com certeza tens mais para fazer. Mostra-me o que ainda precisas de transformar, o que eu ainda preciso de mudar." e de repente uma clareza sobrenatural tomou conta do meu coração e da minha mente. De repente ficou tão claro para mim que o que me falta é foco e visão. A visão de águia de que tanto falamos. Preciso de me focar no que o Pai se foca e alinhar a minha visão com a Dele. 

Sim eu fui salva, curada, transformada, treinada, testada, agora é hora de colocar em prática o que aprendi e passá-lo a outros. É preciso "ir e fazer discípulos" (Mateus 28:19). Visão de multiplicação, é disso que eu preciso. Mais. É disso que todos nós precisamos. 

Veio ao meu coração de uma forma tão forte a história de Ester. Gosto particularmente desta mulher, desta história... talvez porque esta podia muito bem ser a minha ou a tua.

Wednesday, August 19, 2015

ENCONTRANDO A DRACMA PERDIDA


Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com diligência até encontrá-la? E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido. Assim, digo-vos, há alegria na presença dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende. Lucas 15:8-10

As palavras "dracma perdida" andam a martelar na minha cabeça há uns dias e andava a dizer a mim mesma "tenho de ir ler esta passagem", mas só hoje tive a oportunidade de parar para ler e meditar nela e confesso que fiquei na dúvida sobre que ângulo abordá-la aqui no blog. 

Se lermos à letra, esta parábola fala sobre a importância dos perdidos para Deus e da alegria que há nos céus quando um deles é resgatado. Na sua essência, esta história que Jesus nos conta, a par das parábolas da "ovelha perdido" e do "filho perdido" relembram-nos o ensino do próprio Mestre, que nos ensinou que "o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido" (Lc 19:10).

Este tema é de suma importância, especialmente quando nos vemos a braços com os vários afazeres da vida e compreendemos a necessidade de estabelecer prioridades. Nesse momento é crucial que possamos entender qual era a prioridade do Mestre, de Jesus: os perdidos. E sobre esse aspecto falarei, quem sabe, no próximo texto. Hoje, no entanto, gostaria de vos falar de um outro aspecto que posso ler nas entrelinhas desta parábola. 

Um dia eu fui uma dracma perdida (no verdadeiro sentido em que falei acima), mas o Senhor resgatou-me para Ele e de certo houve festa nos Céus quando eu me rendi a Ele. E a história poderia ficar por aqui. Uma vez salva, para sempre salva. Será que é assim? Não creio e não é isso que as Escrituras nos ensinam. Deixar Deus ser Senhor da minha vida hoje é fantástico, mas e o resto dos meus dias? Será que se eu mudar de ideias amanhã e Jesus voltar entretanto, eu vou viver com Ele na Eternidade? Não. Não nos iludamos, se assim fosse a Bíblia não estaria cheia de advertências como as que transcrevo abaixo:

Por isso vigiai, porquanto não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Mateus 24:41
Sede sensatos e vigilantes. O Diabo, vosso inimigo, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem devorar. I Pedro 5:8


Vigiai, permanecei firmes na fé, portai-vos corajosamente, sede fortes! I Coríntios 16:13



(...) mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo. Marcos 13:13

"(...) aquele que permanecer até ao fim, esse será salvo". Então, isso quer dizer que "aquele que não permanecer, não será salvo, certo? "Vigiai", "o inimigo procura a quem devorar". Não há duvidas aqui. Precisamos de cuidar da nossa Salvação, de vigiar, porque temos sido avisados que o inimigo irá tentar roubá-la. 

E o que é isto tudo tem a ver com a tal outra óptica desta parábola a que eu me referi anteriormente, perguntam vocês. Vamos lá então... 

Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com diligência até encontrá-la? Lucas 15:8

Só por curiosidade, a dracma era uma moeda grega, a mais antiga do mundo em circulação, até ser substituída pelo euro em 2001 e, de acordo com a minha pesquisa, naquele tempo teria sensivelmente o mesmo valor de um denário. Para entendermos melhor, um denário equivalia ao valor que um trabalhador braçal recebia por um dia de trabalho, o que explica o porquê da mulher fazer de tudo para a encontrar.  

Vamos imaginar que estas dez dracmas são uma metáfora e que equivalem à nossa Salvação. Se perdêssemos uma só delas, será que ela ficaria intacta? Um puzzle é composto por um conjunto de peças que se unem de forma perfeita. Quando as colocamos no lugar certo e as unimos, temos um puzzle completo e, com ele, uma imagem inteira. Pergunto eu, o que lhe aconteceria se uma peça se perdesse? O puzzle continuaria a ser um puzzle? Talvez, mas seria um puzzle incompleto e o propósito para o qual ele fora criado deixa de fazer sentido, porque nunca poderá ser terminado.

Monday, August 17, 2015

REFÚGIO


Ó minha Fortaleza, em ti espero! Tu, ó Deus, és o meu supremo refúgio. Salmos 59:9

Ao longo da minha caminhada tenho aprendido e crescido (graças a Ele) e tenho tido oportunidade de, em vários momentos, (re)conhecer algumas das características de Deus. Pude (e posso) viver e experimentar o Deus que é Pai, que é amigo, conselheiro, professor... pude conhecer o Deus fiel, o Deus que abraça e ama, o Deus provedor, o Deus que protege, o Deus que cura e liberta, o Deus que surpreende, enfim... mas há algo que tem vindo ao meu coração ultimamente e que, eu creio, é fundamental para vivermos um cristianismo real e profundo: conhecer Deus enquanto "Refúgio".

Confesso que me tem sido difícil encontrar o caminho desta mensagem e por isso ela já teve vários "rascunhos". Escrevo, apago. Escrevo, apago. E pergunto-me porque é que será tão difícil escrever sobre algo tão simples. Talvez seja tão simples que não precisasse que alguém o descreva?... Não sei, mas certo é que a Bíblia utiliza esta expressão muitas vezes (muitas mesmas, confirmem na vossa concordância), por isso certamente é importante dizê-lo, escrevê-lo, enfim, falar sobre o tema e relembrá-lo.

Talvez Deus saiba que há alguém por aí que precisa de ser relembrado de que Ele é um refúgio presente na aflição. Talvez tu que me estás a ler hoje precises de um refúgio e o estejas a procurar no lugar errado... não sei o motivo de escrever sobre isto, mas uma coisa eu sei, "falar" daquilo que Deus é, nunca é perda de tempo. E a Sua Palavra nunca volta vazia, portanto, que esta Verdade imutável e incontornável te encha da Paz que excede todo o entendimento, te console e te dirija, em todos os teus caminhos.

Comecemos pelo princípio (ish, já escreveste tanto e ainda só vais no princípio...medo!).  O dicionário descreve a palavra refúgio como um "lugar considerado seguro para nele algo ou alguém se refugiar" e, no sentido figurado, como uma "pessoa, coisa ou ideia que protege ou ampara".

Não se iludam, essa história do "eu não preciso de ninguém" só existe na ficção, porque na vida real isso é uma grande treta! Todos nós precisamos de um refúgio, de alguém/algo para o qual correr em algum momento das nossas vidas. Os oprimidos, pessoas atormentadas por algo. Os fugitivos (e não me refiro apenas aos que cometeram um crime, mas também aos que fogem de algumas emoções ou de algumas situações com as quais não se querem confrontar); os depressivos; os que se sentem culpados; os desesperados; os angustiados; os tristes; os perdidos (= sem direcção); os perseguidos; os cansados; os que sofrem; os que procuram uma vida diferente... Todos, sem excepção. 

Friday, August 7, 2015

BEM-VINDO BENJAMIM!


Ter um blog não teria piada se não servisse para partilharmos as coisas que nos deixam felizes, verdade? E hoje eu estou feliz feliz porque nasceu o meu sobrinho emprestado Benjamim! :) 
Sempre me lamentei por não ter irmãos e por nunca poder ter a alegria de ouvir alguém chamar-me tia. Felizmente Deus mudou a minha história e deu-me um marido com um irmão e dois sobrinhos! Cada vez que me chamam tia os meus olhos brilham, confesso. E, como se não bastasse, acrescentou à festa uns conjunto de amigos incríveis, com filhos, imagine-se! E esses filhos chamam-me como?? Tiaaaaaa! :) Haja alegria ao ouvir esta palavrinha deliciosa, caramba! Que Pai querido este que nos dá tanto mais do que pedimos ou pensamos... 

E este textinho hoje é em honra do meu pequeno príncipe Benjamim, e dos meus queridos amigos F. e A., que foram presenteados com o cumprimento de mais uma promessa! Deus não falha, acreditem! E se eu fico feliz quando Deus cumpre as promessas que me faz a mim, acreditem que me alegro igualmente quando O vejo fazer coisas fantásticas na vida de amigos que me são tão queridos. Crer é poder e esperar em Deus é garantia de realização e gratidão profunda por tudo o que Ele opera em nós. 

Conheci a minha amiga F. há uns anos, ainda não era eu casada (nem ela) e ainda ela não sonhava que teria o baby B. Aprendemos a amar-nos e a respeitar-nos e não me esqueço do que ela fez por mim, mesmo sem nunca pedir nada em troca. Sigam o meu conselho, esqueçam quem vos faz mal, mas sejam eternamente gratos por e àqueles que ficam ao vosso lado, no matter what. São os pequenos gestos que nos mostram quem vale a pena manter por perto. 

Rimos juntas em bons momentos, mas choramos também muitas vezes em momentos difíceis. Orámos por madrugadas adentro e adormecemos no sofá tantas vezes rodeadas de bolos e chás... Apoiámo-nos quando as tempestades nos tentaram afogar e demos na cabeça uma da outra quando era preciso. Projetámos juntas, sonhámos juntas, sempre fortalecendo a fé uma da outra, incentivando a coragem e a ousadia e brindando às conquistas que Deus nos ia dando... E quantas conquistas fomos alcançando assim, pela fé, pelo amor e esperando num Deus que nunca falha! Assim se forjam amizades. assim se ligam corações, assim se unem vidas e propósitos. É assim que Deus trabalha! Através de relacionamentos, de vidas, do amor! 

Há quase um ano a querida F. casou com o A.  e eu pude ser testemunha, madrinha de uma união que, eu sei, foi realizada nos Céus! E como eu me alegrei imensamente por ver Deus agir na vida deles... O meu coração sorri cada vez que vê Deus mostrar a sua fidelidade e quando vê que as orações que faz são ouvidas... Caneco, este Deus é incrível (desculpem o caneco)! Pouco depois recebi a honra de me tornar madrinha da filha mais velha, a minha querida V. E é uma honra porque foi ela mesmo quem nos escolheu. O meu coração encheu-se, ainda mais. É um privilégio poder ter-te ao lado princesa V e, apesar de não te ter visto nascer, ver-te amadurecer e tornares-te uma mulher de Deus (e poder contribuir para isso) será um presente ainda maior! 

Tuesday, July 14, 2015

REGRESSA AO PRIMEIRO AMOR



A vontade de escrever ultimamente não tem sido muita, confesso, mas há já uns tempos que ando aqui a marinar um tema e hoje é o dia! Vou sacudir a preguiça e partilhar convosco o que me vai na alma, ou melhor dizendo, no espírito! 

Ultimamente há um tema que tem sido recorrente nas minhas orações. Por mais que ore por outras coisas, isto vem sempre ao meu espírito e creio que não é por acaso, porque quando vou a outras igrejas ou falo com outros irmãos na fé, percebemos rapidamente que estamos todos a sentir o mesmo. 

A Igreja do Senhor, um pouco por todo o mundo, tem estado adormecida, cansada pelas lutas e pelas dificuldades dos tempos difíceis que temos vivido, especialmente na Europa e aqui em Portugal com a crise financeira e de valores a que temos assistido. Vemos as igrejas cheias de pessoas que se acomodaram às suas cadeiras, aos seus cargos, aos seus títulos. Igrejas cheias de pessoas acomodadas a praticar as boas obras e a ir à igreja ao domingo, mas que não passam daí. Apáticas, letárgicas, adormecidas. 

E pergunto eu, será isto suficiente para Deus? Será isto que Deus espera de nós, Sua Noiva? 

Diz assim no livro de Apocalipse:

Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeresApocalipse 2:2-5

Achei esta passagem extremamente reveladora e mexeu muito comigo. Aposto que muitos de nós se conseguem identificar com isto. Quão difícil foram os últimos anos, não? Tanto tentaram enganar-nos, afastar-nos... quantas atitudes perdoadas, quantos amigos que deixaram de o ser, quantas palavras nos feriram... Quão duro foi perseverar e permanecer Nele, verdade? E Deus viu tudo isto. E sim, Ele entende, oh como Ele entende. Ele viu as tuas lutas e vê o quanto te tens esforçado, mas...  Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.  


O que aconteceu ao teu coração pelo caminho? Quanto se fechou esse coração para seres capaz de suportar tudo o que viveste... E quando o teu coração se fecha, Deus não pode mais entrar como antes.

Eu me recordo bem do teu profundo e leal amor como minha noiva nos tempos da tua juventude; como recém-casados, estavas apaixonada por mim e me seguias pelo deserto, por terras áridas e ainda não semeadas. Jeremias 2:2

É tempo de voltarmos ao primeiro amor. Aquele que nos dava alegria, aquele que nos fazia sorrir de cada vez que pensávamos em ir orar ou em falar de Jesus a alguém. Quando casamos procurar fazer de tudo para agradar o alvo do nosso amor, o nosso marido, verdade? E com Deus não deveria ser assim também? Dantes corrias para a igreja todo feliz para fazer o que fosse preciso, não faltavas a nenhum culto e estavas em todos os eventos, ias ouvir pregações ao youtube, partilhavas a Palavra de Deus por sms ou nas redes sociais... até fazias questão de vestir algo especial para ir à igreja, porque tinhas prazer em ir à casa do Pai, falavas a todos de Jesus e de como Ele mudou a tua vida, abraçavas os irmãos e esforçavas-te para sempre abençoar alguém com uma palavra de ânimo, com um elogio, com uma oração. 

Monday, June 29, 2015

OS PRINCÍPIOS DA CANOAGEM NO CASAMENTO



Este fim-de-semana fomos fazer canoagem com outros casais lá da igreja. Não foi a primeira vez que nos aventurámos numa coisa do género, mas foi a primeira vez em rio (Zêzere) e durante tanto tempo (cerca de 2h!). Não tirámos fotos porque não podíamos levar nada connosco, por isso a foto que está a ilustrar o post é da primeira vez que andámos :) 

Apesar da fome e do cansaço foi um tempo muito bom, gostei imenso da experiência e apesar de alguns percalços pelo caminho, a nossa canoa não virou e chegámos sãos e salvos ao nosso destino! (aplausos para nós sff). Se puderem agarrem no mais-que-tudo um dia destes e experimentem, que são capazes de gostar.  

"Canoar" (palavra inventada pela minha pessoa), tal como casar, não é para meninos. Não, é para malta forte, corajosa, ousada, destemida e que não conhece a palavra "desistir". Ou aliás, até conhece, mas esta malta especial apagou-a do dicionário. Já a palavra "discutir" é outra conversa... é que a canoagem é um trabalho de equipa e pode trazer ao de cima o melhor e o pior (sublinhem esta) de nós! 

Na canoa (acho que a palavra técnica é kayak) só há espaço para dois. 
Não há lugar para terceiros na canoa, nem há espaço para outros meterem o bedelho, a não ser que vocês vão à água e a canoa vire. Fomos instruídos que se isso acontecesse ninguém do grupo deveria intervir. A ordem era que aguardássemos pelo socorro dos instrutores (profissionais da coisa). 

O teu casamento está a meter água? A canoa virou? Então procura ajuda de alguém que saiba o que está a fazer. De nada nos serviria que outros, sem qualquer experiência, fossem ajudar alguém cuja canoa virou, o mais certo seria que virassem também.  

Meu é o conselho sábio; a mim pertencem o entendimento e o poder! Provérbios 8:14

Thursday, June 25, 2015

A OFERTA QUE DEUS PROCURA


Quero partilhar convosco algo que Deus falou comigo e que tive oportunidade de partilhar com a Igreja na palavra de oferta de sexta-feira passada. Sei que alguns provavelmente me ouviram mas, para os que não tiveram oportunidade, aqui fica. :) 

Então Samuel perguntou-lhe: «O que é que o SENHOR prefere: os sacrifícios ou a obediência à sua vontade? Mais vale obedecer-lhe do que sacrificar-lhe os melhores carneiros. I Samuel 15:22

O rei Saúl recebeu uma ordem directa de Deus através do profeta Samuel: exterminar os Amalequitas. Acontece que o seu exército, ignorando essa mesma ordem, ficou com algum do despojo, poupando algumas ovelhas e bois... O rei poderia e deveria ter-lhes ordenado que não o fizessem, mas não quis aborrecer o povo. Ao invés, preferiu desobedecer a Deus. Quando o profeta Samuel o confronta (vs.19), o rei justifica-se. Basicamente desculpa-se com o exército, dizendo que este é que tinha querido guardar os animais para os sacrificar a Deus.

Ora, qual é que é o grande problema aqui? É que Deus tinha dado uma ordem clara a Saúl, e ele escolheu não a cumprir. Preferiu trazer os animais para ofertar ao Senhor do que obedecer à Sua palavra. A resposta de Deus não se demorou. Não é sacrifícios que Deus procura, o Senhor prefere a obediência à Sua vontade.


Tuesday, June 2, 2015

ENTREGA O TEU CAMINHO AO SENHOR


Ontem alguém falava comigo sobre uma situação complicada. Basicamente a pessoa em questão está com um berbicacho para resolver e precisa de tomar uma decisão, mas pelo caminho andava já a pensar em soluções alternativas. Ora, isto acontece muito connosco, seres humanos. Vemos-nos num aperto e começamos a tentar arranjar soluções, verdade? Soluções que aos nossos olhos até parecem, no momento, uma coisa boa mas que, a longo prazo, se poderão vir a revelar desastrosas.
Sabem o que há de mais fabuloso em ter Deus na nossa vida? É que nós só vemos o hoje e o agora, mas Ele vê tudo, Ele vê o futuro, o amanhã, e Ele conhece as consequências de uma decisão mal tomada antes mesmo de nós a tomarmos. É por isso que é crucial entregarmos nas Suas mãos tudo. Cada problema, cada decisão, cada solução. 

A Bíblia diz em João 15:5 que sem Ele nada podemos fazer. É uma frase tão pequena, não é? Escrita ali no meio de um versículo... quase nem damos por ela. E nós temos tanta tendência a não reparar em coisas assim... pequeninas. O Homem gosta do que é grande, do que aparece e brilha, mas Deus é um Deus Grande que trabalha nas coisas pequenas. Mas estas pequenas palavras, escritas ali no meio, encerram, na verdade (e a meu ver), uma das características mais importantes num relacionamento com Deus - dependência total. 

Sem mim nada podes fazer. - Disse Jesus. Então se sem Ele nada podemos fazer, porque é que tentamos? Porque é te pões a inventar alternativas e a tentar encontrar caminhos quando não vais poder percorrê-los sozinho? Porque é que queres tomar decisões que cabem ao Pai? Porque é que insistes em ir e fazer sem a Sua ajuda, sem a ajuda preciosa Daquele que conhece o teu passado, presente e futuro? 

Thursday, April 23, 2015

O ELIXIR DA VIDA


Não planeei escrever este texto, como aliás não planeio a maioria deles, mas ao fazer hoje um post na página d'O Pro(fé)ta no Facebook sobre o Dia Mundial do Livro (by the way, sabiam que a Bíblia lidera a lista dos 10 livros mais vendidos no Planeta há cinco décadas?), lembrei-me de uma reflexão que fiz há uns dias sobre as palavras de Jesus que lemos em João 8:32 e achei que fazia sentido partilhá-la convosco, especialmente neste dia. 

Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32
É curioso, esta semana estava a ver uma série de que gosto imenso e uma das personagens dizia para outra: "You have no idea how powerful the truth can be" (não imaginas quão poderosa pode ser a verdade". E realmente é mesmo assim, há qualquer coisa de extremamente poderoso na verdade. A verdade liberta! Por mais dura que às vezes ela possa ser (e às vezes é), quando ela é assumida, ela tem o poder de libertar. Quem a diz e quem a recebe!  

E a verdade liberta talvez porque o oposto da verdade é a mentira e a mentira acarreta necessariamente um fardo demasiado pesado de carregar. Assim, quando nos vemos livre dele, é compreensível que nos sintamos mais leves, capazes de finalmente respirar fundo, livres.

Jesus disse que conhecer a verdade nos libertaria. Qual verdade? A Sua Palavra. A santa e eterna Palavra de Deus, a Bíblia.
A tua palavra é a verdade, desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre. Salmos 119:160 
(...) a tua palavra é a verdade. João 17:17b

A Palavra de Deus é a verdade. E a Verdade é Jesus. 

Tuesday, April 21, 2015

SÊ TU MESMO


Vi há tempos o trailer do filme Grace do Mónaco e detive-me numa frase da princesa, protagonizada aqui pela atriz Nicole Kidman. Ela dizia: "Não sei como vou passar o resto da minha vida aqui, onde não posso ser eu mesma..."

Isto deixou-me a pensar em como tantas vezes vivemos presos, mesmo sendo aparentemente livres. Presos a comportamentos e a palavras socialmente aceitáveis. Presos aquilo que os outros esperam e pensam de nós. O que os outros dizem de mim e de ti condiciona, garantidamente, a forma como nos vemos. Quando eu era mais nova lembro-me de ouvir que tinha as pernas gordas e durante muitos anos não queria usar saia porque tinha vergonha. Eu sei.. que disparate! Mas foi assim mesmo.

Mas muitos de nós ouviram muito mais do que isso, infelizmente. Coisas como "não fazes nada de jeito", "não serves para nada", "és um anormal", "nunca vais ser nada na vida", "nunca devias ter nascido" são pérolas que saiem da boca de muitos pais, amigos, avós ao longo do crescimento e que nos fazem muitas vezes crescer a pensar que não somos suficientes, que não somos capazes, que ninguém nos vai amar, que vamos ser maus pais, que não vamos ser bem sucedidos profissionalmente, emocionalmente, enfim...

A Bíblia diz em Génesis que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. E eu pergunto-me, quem é Deus? Não é um ser incrivelmente belo? Amoroso? Cuidador? Protector? Não é este Deus fiel, dedicado, puro, santo, inteligente, criativo, sábio?... não é Ele perfeito?

Então se nós, tu e eu, fomos criados à Sua imagem e semelhança, não deveríamos também ser tudo isto?

Tuesday, April 14, 2015

UMA NOVA HISTÓRIA


Por estes dias acordei a cantar uma música (podem ver o vídeo abaixo)... Cantei uma e outra vez e a música não me saía da cabeça... foi assim o dia inteiro. À noite aconteceu algo que me deixou triste e a música voltou a ecoar na minha mente..."sai da tua tenda filho meu...uma nova história Deus tem para mim...". Coloquei a música a tocar no youtube e ouvi-a novamente. Troquei umas palavras com Deus e abri a Bíblia em Génesis 15. Já tinha lido esta passagem várias vezes e até já ouvi pregações sobre o tema, mas naquele momento tudo aquilo me disse tanto... 

Passados esses acontecimentos, o SENHOR falou a Abrão, por intermédio de uma visão: “Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!” 
Contudo, Abrão declarou: “Ó Todo-Poderoso SENHOR, meu Deus! De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos? Eliézer de Damasco é quem vai herdar tudo o que tenho. Tu não me concedeste descendência, e por esse motivo um dos meus servos, nascido na minha casa, será o meu herdeiro!” Génesis 15:1-3

No capítulo 14 de Génesis, Abrão (Deus aqui ainda não lhe tinha mudado o nome) descobre que o seu sobrinho Ló foi raptado numa guerra e convoca 318 homens para o ir salvar. Saem vitoriosos, Ló regressa a casa e percebemos na atitude de Abrão que ele é um homem de honra e com carácter. Glorifica a Deus, entrega o seu dízimo e não fica com nada do que não é seu. 

Ler isto depois de já ter lido o capítulo 15 fez-me refletir sobre as emoções de Abrão e sobre quem era realmente este homem que hoje conhecemos como o Pai da Fé. E refletir sobre o tema levou-me a perceber em Abrão um homem, com sonhos e frustrações, como todos nós. Um homem casado com uma mulher que ele amava profundamente, mas que não lhe podia dar filhos porque era estéril. Um homem que era tio e que provavelmente via no sobrinho orfão a única oportunidade de ser um pouco pai. Um homem que procurava ser fiel a Deus e fazer a coisa certa, mas que no fundo sentia um vazio por não ter descendência.

Até posso estar a viajar na maionese, mas eu gosto de ler nas entrelinhas. As nossas respostas podem dizer muito sobre o que sentimos e com Abrão não é diferente. Senão vejam... 

No início do capítulo 15 Deus fala com Abrão e diz-lhe: "Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!". Uau!Isto é o que eu chamo uma palavra de incentivo! Mas e o que é que Abrão lhe responde? "De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos?".

E com isto percebemos tudo. Abrão desejava ser pai e esse sentimento era mais real e mais profundo do que imaginamos. Ouvimos muitas pregações por aí sobre a esterilidade de Sara e  sobre a fé de Abrão quando entregou Isaque, mas acho que nunca ouvi ninguém falar sobre o desejo do coração de Abrão, um desejo tão forte, que não havia recompensa que lhe fosse suficiente. Ele não queria mais nada. Ele queria filhos, uma descendência. 

Wednesday, April 1, 2015

O CORAÇÃO DA PÁSCOA


Há uns dias que ando a pensar que tenho de escrever qualquer coisa sobre a Páscoa (afinal é A Data, a "festa" bíblica mais importante de todas), mas confesso que não me apetecia nada. Não sei porquê, mas acho que já se escreveu tanto sobre o tema que parece que não há muito mais a dizer. E, sinceramente, no meio de tanto ruído, será que alguém ouve? 

Ainda assim, Deus é engraçado e ontem enquanto pensava na vida, sem dar por ela desenhou-se na minha mente o que escrever aqui.

Nunca se perguntaram "e se em vez desta decisão, tivesse tomado aquela, onde será que eu estaria?". "E se eu tivesse ido para aquela escola?", ou "E se não me tivesse casado com ele/ela?", "E se tivesse tirado aquele outro curso e escolhido outra carreira?"... "E se"...

Sei que parece parvo, mas eu penso muito nestas coisas... Não que isso importe agora, porque o passado deve ficar lá mesmo, no passado, mas gosto de refletir nisto, na importância de uma decisão, de uma atitude, de uma escolha e em como isso pode mudar uma vida inteira...  

Acontece que ontem pensar nisto levou-me a um lugar diferente. Levou-me a Jesus e à Sua decisão de fazer a vontade de Deus, de se entregar para morrer na cruz. E por momentos respirei fundo e pensei: "e se Jesus não tivesse morrido por mim?". O que seria de mim se Jesus nem sequer tivesse existido? Será que conseguimos sequer imaginar?

E se Jesus não tivesse ido à cruz? Se ele não tivesse seguido em frente com a decisão de me salvar, de nos salvar a todos, a humanidade, o que teria sido de mim, de ti, de todos nós? O que seria do mundo sem Jesus?

Olha para a tua vida e faz um rewind mental. Onde estarias tu se não fosse Jesus? A bíblia diz que Ele nos tirou de uma "cova de destruição, dum charco de lodo" (salmos 40:2) e Ele bem sabe... Não conheço a tua realidade mas eu bem sei do que Ele me livrou a mim e não quero sequer imaginar o que seria a minha vida se eu não O tivesse deixado entrar nela. 


Thursday, March 19, 2015

ABBA PAI


Hoje celebra-se o Dia do Pai em Portugal e, sabendo eu o que sei sobre Deus Pai, não podia deixar de escrever umas linhas sobre o tema. 

Os meus pais divorciaram-se era eu ainda um bebé, por isso não cresci numa família típica, por assim dizer. A minha mãe esteve sempre presente, mas o meu pai não, por isso nunca chamei pai a ninguém. Disse-o talvez uma ou duas vezes que me lembre mas a palavra "pai" claramente não fazia parte do meu vocabulário corrente. O meu avô, que enviuvou tinha eu apenas quatro anos, foi o mais parecido que tive com essa figura. Além da minha mãe, foi com ele que cresci. Vivemos lá em casa com ele durante alguns anos, inclusive. Dormi lá muitas vezes, passava lá as tardes depois da escola, brincávamos, fazíamos os trabalhos de casa, almoçávamos e jantávamos muitas vezes juntos, íamos de férias só os dois... Era ele que recebia as prendas que eu fazia na escola todos os anos no Dia do Pai e era a ele que a minha mãe recorria quando se zangava comigo. Foi um pai-avô. Um bocadinho dos dois. Era, ao mesmo tempo, a figura do mimo e a figura da correcção. Não fui a menina do papá, mas fui neta única de um avô viúvo durante 13 anos. Fui, por isso, a menina do avô.  

Talvez por tudo isto, e apesar de ter crescido sem o típico pai que seria suposto todos termos, sempre fui bastante resolvida quanto a esse tema. Se gostava de ter tido alguém a quem pudesse chamar de pai e que o pudesse ter sido efetivamente pai, no real sentido do termo? Claro que sim. Se me fez falta? Talvez. Mas o que tive foi muito mais do que muitos tiveram e sou grata por isso. 

E isto tudo para dizer que eu teria alguns motivos para ter dificuldade em ver Deus como Pai. Sei de muitas pessoas em situações semelhantes à minha que tiveram. Não foi o meu caso. Pelo contrário. Finalmente pude chamar pai a alguém. Recebi Deus Pai de tal forma na minha vida que sempre que oro é assim que me dirijo a ele. "Pai...". E como esta palavra me enche o coração... Que sorte a minha que este meu Pai é perfeito, infalível e absolutamente incrível, verdade? É que os pais humanos não são. Esses falham, como todos nós aliás. Mas Deus não. Ele nunca erra. Ele nunca se engana. Ele nunca faz ou diz aquilo que não deve. Ele nunca nos magoa. Ele é perfeito! 

Monday, March 16, 2015

LIMPEZA INTERIOR


Há uns tempos atrás fui a casa de alguém e como a pessoa em questão tem dificuldades em movimentar-se, acabou por se proporcionar eu fazer uma pequena limpeza. Enquanto ali estava veio ao meu Espírito que assim como a casa precisava de uma limpeza, também a alma daquela pessoa precisava de ser limpa. E fiquei a pensar nisto. 

Uma casa acumula lixo que é impressionante. Mesmo quando a limpamos com frequência, é incrível como a sujidade teima em aparecer. Já a minha mãe dizia que em casa há sempre o que fazer e realmente é verdade. Por mais que se limpe e se aspire, tem sempre de se limpar e aspirar novamente uns dias depois, porque senão a casa vai ficar imunda. E assim é, semana após semana...

A nossa "casa interior" não é muito diferente. Também ela acumula muito mais lixo do que às vezes podemos imaginar. Também ela precisa de uma boa limpeza, constantemente. Os dias, as semanas, os meses, os anos são longos e, sem darmos por ela, as situações vão passando por nós e deixando a sua marca, não necessariamente positiva. Uma palavra, uma atitude, um telefonema, a morte de uma pessoa querida, um sonho que nunca mais se realiza, um problema financeiro, de saúde, enfim... Se não tivermos atenção, a nossa casa vai começar a acumular cotão, gordura, calcário... Sem darmos conta lixo como a frustração, a tristeza, a ansiedade, a murmuração e a depressão vão começar a entulhar a nossa mente e o nosso coração. 

Então o Senhor lhe declarou: “Vós, fariseus, purificais o exterior do copo e do prato; mas vosso interior está entulhado de avareza e perversidade. Lucas 11:39

Neste episódio Jesus chama a atenção dos fariseus precisamente para o seu interior, no caso porque eles limpavam os utensílios com que comiam, parte de um ritual religioso, mas no entanto era o seu coração que primeiramente precisava de ser purificado e ajustado com os princípios do reino. 


Monday, March 9, 2015

ASSIM TU ÉS. MULHER.

Ontem não tive oportunidade de escrever sobre o Dia da Mulher, mas não queria deixar a data em branco.

Não que as mulheres precisem de dias para serem tudo aquilo que são, mas a verdade é que às vezes todos nós, todos sem excepção, precisamos que alguém nos relembre quão importantes somos, verdade? É por esse motivo que vos escrevo hoje. 

Porque sei que muitas vezes não tens sido reconhecida devidamente, mulher. 
Porque muitas vezes tens chorado quando ninguém vê, mulher. 
Porque muitas vezes tens perdido horas de sono para fazeres o que mais ninguém faz, mulher. 
Porque muitas vezes és agredida na tua essência, mulher. 
Porque tantas vezes as tuas palavras sábias salvaram vidas, mulher. 
Porque os teus abraços, que deste quando tu eras quem mais deles precisava, levantaram outros e lhes deram força para continuar, mulher. 
Porque dás o melhor aos teus filhos, ficando tu com os restos, mulher. 
Porque lhes dás amor e carinho e te enches de paciência quando estás tão cansada, mulher. 
Porque fazes e dás, sem pedir nada em troca, mulher. 

Porque és especial e precisas que alguém to relembre. Porque nada do que fazes Lhe é oculto. Porque Ele vê o teu esforço e porque as tuas lágrimas, a seu tempo, se transformarão em belas e lindas flores.
Quão importante és tu. Mulher. 


Mulher virtuosa quem a achará? Provérbios 31:10

Wednesday, March 4, 2015

E ENCONTRARÁS DESCANSO...


"Oh tempo volta para trás...", dizia a música. Eu não queria que ele fizesse rewind, mas uma pausa de vez em quando era bem-vinda para me dar tempo para fazer tudo o que quero! Entre trabalho, família, casa, blog e otras cositas mas, parece que as horas me fogem pelos dedos. Oh vida corrida esta. :) 

E bom, assim sem saber ler nem escrever já tenho três textos novos nos rascunhos a precisar de ser acabados! E não sei como ainda consegui começar a escrever este sem acabar os outros... 'Tá bonito 'tá! Mas adiante. Terminada a introdução, vamos ao que interessa. 

Ontem à noite sentia-me especialmente cansada. Não apenas fisicamente, mas emocionalmente. Nem sei bem porquê para ser honesta. Quer dizer, sei, a verdade é que elas não matam mas vão moendo, mas o que quero dizer é que não me sentia assim por nenhum motivo em especial (apesar de até ter vários que o poderiam provocar), apenas me sentia cansada, extenuada. Por alguns momentos fiquei ali, na casa de banho (já vos disse que a minha casa de banho é ungida? ehehe), a respirar e a deixar cair umas quantas lágrimas, nem sei bem porquê, mas que elas precisavam de cair, precisavam. E eu não as impedi. 

Orei. Nada de muito eloquente, mas bem sentido. Disse a Deus o que sentia. Ele trouxe-me à memória uma passagem perfeita. Gostei desta versão:

Vinde a mim todos os que estais cansados de carregar as suas pesadas cargas, e Eu vos darei descanso. Mateus 11:28

Hoje pus-me a reflectir nisto e achei que devia escrever algo sobre o tema. A vida é realmente corrida demais e parece-me que há-de haver por aí muita gente a sentir-se "cansada de carregar as suas pesadas cargas". Se és uma dessas pessoas quero dizer-te que Jesus prometeu dar-te descanso. E Jesus sempre cumpre as Suas promessas.  Ele promete aliviar as nossas cargas e dar descanso ao cansado e sobrecarregado. 

Mas, como em tudo na vida com Deus, é preciso fazermos a nossa parte, a primeira parte, na verdade. 

Jesus começa por dizer "vinde a mim" e continua "e eu vos aliviarei". Então, encontramos aqui uma condição. Ele promete dar descanso a todos aqueles que forem até Ele. 

E se continuarmos a ler, os versos 29 e 30 desvendam um pouco mais... 
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Mateus 11:29-30
Irmos até Ele é o primeiro passo, mas não o único. Diz mais Jesus: "tomai sobre vós o meu jugo".
Pesquisando um pouco descobri que o "jugo" é uma peça feita de madeira, utilizada para unir dois bois, para que andem no mesmo compasso enquanto puxam um arado ou uma carroça. É também chamada de "canga" ou "junta de bois". ´


Monday, February 23, 2015

PARABÉNS PROFÉTA, FAZES 5 ANINHOS

Hoje deu-me para ir ver quando é que o blogue nasceu e fiquei triste porque descobri que deixei passar o aniversário deste meu "bebé"... Fui ver os arquivos e descobri que nascemos a 13 de Janeiro de 2010... acreditam!? Cinco anos! Como é que já passaram cinco anos? O Pro(fé)ta está tão crescido... :) E eu também... 

Como a minha vida mudou em cinco anos... Foram anos de muitas alegrias, mas também de algumas tristezas. De muita luta, de muitos sonhos, de muita oração, mas também de algum desânimo, algumas desilusões, alguns contratempos. 

Quando comecei a escrever aqui era uma menina, solteira e acabada de regressar à casa do Pai, à la filha pródiga. Hoje já não sou uma menina, sou uma mulher. Casei, aprendi a ser esposa e preparo-me para, numa próxima fase, ser mãe. Cresci, oh como cresci. Cresci em tudo. Cresci como pessoa, cresci em Deus. Aprendi o verdadeiro significado da palavra amor e aprendi que sorrir faz mais que bem, é preciso. Aprendi que as dificuldades me ensinam e que o deserto me fortalece. Aprendi que a tempestade não me afunda se Deus estiver no meu barco. Aprendi a ser sábia. Aprendi que o perdão é, não só necessário, mas fundamental para sermos livres e felizes. Aprendi a olhar para as coisas pequenas e a torná-las grandes. Aprendi a ouvir mais. Aprendi a ver com os olhos de Deus. 

Wednesday, February 18, 2015

A MINHA GRAÇA TE BASTA


Ontem no meu tempo com Deus partilhava várias situações que têm acontecido ultimamente na minha vida e pensava em como algumas delas às vezes me têm tentado engolir. Felizmente, e graças a Deus (mesmo), nenhuma tem conseguido, mas não raramente dou por mim a pensar que elas (as dificuldades) são mais que as mães e que parecem pipocas a saltar, umas atrás das outras. A sério, há momentos em que fico tão parva com a rapidez com que os problemas se avolumam, que a minha única reacção é a mesma que me ensinaram a ter a atravessar a estrada: pára, escuta e olha. 

No meio de um sem fim de pensamentos (e pareciam mesmo não ter fim... meu Deus como o nosso cérebro acumula informação... medooo), aquilo que ecoou no meu coração e no meu espírito foi tão simples, mas tão poderoso. Um versículo, um que eu conheço tão bem, quase bem demais. Um versículo que já li tantas, mas tantas vezes e que já me ensinou tanto, em tantas situações... Cá estava ele, outra vez:
A minha graça te basta. II Coríntios 12:9

E graça é favor, é perdão, é bondade, é misericórdia, é amor. Graça é Jesus. Quando ouvimos Deus dizer "a minha graça te basta", como ouviu Paulo, podemos reagir de duas formas: entender que Ele é suficiente, que o que Ele fez é suficiente, que o Seu amor é suficiente e que tudo vai ficar bem ou podemos questionar, ficar inquietos, cheios de dúvidas, de medos, ignorando, portanto, que Deus tem sempre um plano. Qual é a porta que costumas abrir? A da certeza ou da dúvida? A da confiança cega ou a fé que vacila?